sábado, 29 de março de 2014

A PRIMEIRA VIAGEM DA MINHA PRIMEIRA MOTO



Meu primo, Paulo Kerr Salem, motociclista da gema, conta a historia da primeira viagem da sua primeira moto: Na primeira semana de março de 1974, semana da inauguração da Ponte Rio-Niterói meus primos Eduardo e Marcio que moravam em São Paulo ligaram dizendo que no dia seguinte iriam com as namoradas pro Rio de Janeiro de moto pra participar da inauguração e  estavam me convidando para fazer parte do grupo.
Na época eu morava em Campinas e nem tinha motocicleta. Minha experiência na arte consistia em algumas voltas nas motos de amigos pelas ruas da minha cidade.
A insistência dos primos foi tanta e a vontade de ter uma moto maior ainda que no dia seguinte pela manhã, dia da viagem, comprei uma Suzuki GT 380 e marcamos o encontro na Via Dutra, no entroncamento de Jacareí às 9 horas da noite. O Eduardo montado na sua Honda “7 Galo” e o Marcio na Yamaha RD 350, a famosa “Viúva Negra” estariam lá com suas namoradas pra continuarmos a viagem.
Ao chegar a Via Dutra e ver a velocidade que os caminhões passavam deu vontade de voltar pra casa! Os primos, muito mais experientes, me encorajaram pra continuar a viagem.
Nem tinha tido tempo de experimentar a moto e muito menos de saber sobre os possíveis problemas que poderiam acontecer e já nos primeiros quilômetros começaram aparecer. A cada 100 km a gasolina da Suzuki acabava.
Muito estranho, as outras motos tinham muito mais autonomia.
Mesmo assim continuamos e com as paradas frequentes onde perdíamos 1 hora pra fumar uns cigarrinhos e satisfazer as vontades das namoradas e da minha esposa passamos a noite toda na estrada.
Quando descemos a Serra das Araras o dia já começava a clarear e o sono bateu forte.
As meninas já dormiam "tranquilamente" nas garupas até que a velocidade do grupo começou a diminuir muito e eu que estava na frente não percebi o motivo. O Marcio que vinha fechando o grupo notou que o Eduardo diminuiu muito a velocidade e emparelhou pra ver o que estava acontecendo. A dupla da “7 Galo” tirava um cochilo escandaloso em plena Via Dutra e o piloto só acordou com os cutucões que o Marcio deu no seu ombro. Haja Anjo da Guarda!
Depois do susto deram uma parada no acostamento para se recuperar e eu parei mais a frente. Os motoristas passavam sinalizando que os dois estavam descansando lá atrás fumando um cigarrinho.
Finalmente chegamos ao Rio e fomos logo atravessar a Ponte e procurar uma oficina de motos para tentar resolver o problema de consumo da minha. Passamos o dia na oficina em Niterói e voltamos ao Rio para dar uma refrescada e um cochilo.
Como eles ainda estavam cansados, resolvi sair para visitar uma tia que morava em Botafogo há uns dois quilômetros de onde estávamos e notei que o pneu traseiro estava furado.
Parei num posto de gasolina que fica no aterro, tirei a roda traseira, deixei todas as peças debaixo da moto e de táxi fui procurar um borracheiro. Quando voltei os frentistas tinham lavado o piso do posto e as peças que deviam estar debaixo da moto sumiram. Com muito custo encontrei uma a uma, montei a roda e voltamos para o hotel sem visitar a tia !!!
Na manhã seguinte pegamos a Dutra de volta para casa, e a Suzuki continuou bebendo mais do que devia.
Chegando em Campinas, com calma e mais descansados, constatamos que a causa da gastança era o diafragma furado de um dos três carburadores da minha nova paixão. Mesmo após o reparo ela sempre foi um pouco exagerada no quesito consumo de combustível.
Esta foi a primeira viagem da minha primeira moto que serviu de lição para muitas outras que se sucederam!!!.






2 comentários:

  1. Décio, gastona de combustível, mas nada econômica no que diz respeito ao prazer de pilotagem.... Parabéns ! Esse post me fez lembrar de uma vez que dormi...pilotando a R1 nas retas próximo a Arraias, TO....mas aí é outra história, qualquer hora conto. Abraço Diego

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  2. Diego
    A diferença de cochilada entre a 7 Galo do meu irmão e a R1 sua sem dúvida foi a velocidade do episódio. A única coisa parecida das historias foi, sem dúvida, os Anjos da Guarda.
    Abs.
    Decio.

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