segunda-feira, 7 de abril de 2014

DEDO-DURO OU CIVILIZADO?

Quarta-Feira 17 de agosto de 2012 (*), com meu Suzuki Burgman 400 descia a serra na Fernão Dias no sentido São Paulo, estava a cerca de 90 km/h. No trecho sinuoso onde ficam os radares notei uma carreta na faixa da esquerda ultrapassando os carros de forma perigosa. Fui para a faixa do meio e, para garantir, joguei ainda mais para a direita. Quando percebi o enorme caminhão passou a poucos centímetros do scooter, foi um susto enorme. O motorista voltou para a esquerda e continuou dirigindo de forma agressiva e perigosa, mesmo com a minha experiência e os 400 cc do meu Burgman foi difícil acompanhá-lo. Ele encostava na traseira dos carros e forçava-os a dar passagem, numa atitude irresponsável e assassina.


Para minha sorte no trecho com um leve aclive, pouco antes de Guarulhos, avistei uma viatura da Polícia Rodoviária, emparelhei ao lado, abri a viseira do capacete e gritei: "você não acredita o que aquele cara esta fazendo, dirigindo como um louco!". Não acreditei que o policial tomasse uma atitude, afinal, naquele momento, o caminhão estava devagar - embora na pista da esquerda. Ainda assim o inspetor perguntou qual caminhão. Eu gritei: aquele vermelho! A viatura passou a segui-lo e, quando começou a descida, o caminhão estava a mais de 150 km/h na esquerda e dirigindo como um alucinado. Tentei acompanhar a perseguição mas o scooter não conseguia. Uma imensa mancha de poeira levantava ao lado da mureta central da estrada - que nesse trecho tem quatro faixas - enquanto a viatura ligava a sirene ordenando que parasse. Finalmente o motorista obedeceu a ordem de parar. Passei devagar e buzinei para a viatura, o inspetor fez sinal de positivo enquanto descia para autuar o motorista. Olhei para o "profissional do volante" e vi sua expressão de ódio e perplexidade, pois sabia que estava ferrado. Antes que você me julgue, não me considero um dedo-duro ou “dedo de seta” e sim um cidadão que cumpriu seu dever. Digo isso pois meu amigo Ulysses no Natal de 2007 perdeu sua esposa em um acidente com provocado por um caminhão na própria Fernão Dias. A estrada estava congestionada e o caminhão veio em alta velocidade e não conseguiu brecar passando por cima do seu carro. Sua esposa Marta faleceu na hora, Ulysses ficou entre a vida e a morte, amargou seis meses de internação. Ele fraturou a bacia e sofreu diversas perfurações no intestino e nos pulmões. Se alguém tivesse avisado a polícia que havia um caminhão fazendo barbaridades na estrada, talvez Marta ainda estivesse viva ao lado do marido e vendo a sua única filha crescer.
Confira a foto ao lado de um acidente ocorrido no mesmo local e publicada pelo site UOL em maio de 2012. (*) Obs: texto publicado no blog da revista Ordem de Serviço em 19/08/2012

2 comentários:

  1. Civilizado, sem duvida! seja bem vindo ao Site, Cicero... você tem muito a contribuir!

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  2. Cícero, se mais cidadãos civilizados como você fizessem isso muitas vidas seriam salvas. Parabéns!
    Já tive vontade de dedurar motoristas como este mas nunca encontrei uma viatura na hora

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