domingo, 18 de maio de 2014

AVENTURA: NA ESTRADA COM A XLX350R

Não tenho costume de colocar minhas motos antigas na estrada.  Apesar de eu adorar viajar de motocicleta, reservo às antigas apenas passeios pela cidade, semanais ou quinzenais... e pra moto moderna (a ultima delas era uma hayabusa 2009) estão reservadas as estradas com frequência.  
Minhas antigas são motos trail ou de baixa cilindrada, não pode-se dizer que é um grande prazer viajar com motos pequenas (apesar de ter quem goste, prefiro as de maior potencia/cilindrada), os limites de velocidade das estradas paulistas superam as vezes a velocidade máxima dessas pequenas motos, diferente do que tínhamos nos anos 80, a velocidade máxima permitida chegou a aumentar 50% (antes 80 km/h na maioria delas, e agora até 120km/h na via Bandeirantes por exemplo). Manter um motor pequeno com carga próxima a seu limite por muitos quilômetros, não é uma atitude inteligente, força desnecessariamente o conjunto.

Mas as vezes bate uma nostalgia!  por que resistir?
A caminho de Ribeirão Preto


Esse final de semana resolvi colocar a XLX350R na estrada.  Minha esposa, Camila, foi de carro a Ribeirão Preto, SP na quarta-feira (que baixo astral!). Pedi a ela que levasse à reboque a carretinha de transportar motos, desta forma, eu poderia ir no sábado pra lá com a XLX, e voltaríamos juntos, de carona.
E assim foi feito!

Entre as minhas motos, a XLX é a que tem melhor desempenho e a que melhor se presta a essa pequena aventura. 


Há uma coisa que não muda, prezados amigos, e espero que realmente não mude nunca! - antes de viajar de moto, eu fico ansioso, pensando, imaginando, repensando, limpo a moto, reviso itens básicos... mal consigo dormir.  Isso, curiosamente, acontece quando faço uma viagem de 15.000 km sozinho pela América do Sul numa motocicleta de 200 hp, e também, na mesma intensidade, quando pego uma das clássicas com potência 7 vezes menor e resolvo fazer uma viagem de apenas 300 km por rodovias mais do que conhecidas - e por que não dizer, monótonas - do estado de SP.  Com o perdão da palavra:  Tesão é Tesão!

Bem, a XLX estava revisada, deixei ela na concessionária Honda poucos dias antes para uma revisão geral. Não apenas por conta da viagem, mas a manutenção normal que faço a cada 2 anos.  Tudo foi verificado, de regulagem de válvulas, verificação de rolamentos (troca de alguns), lubrificação dos cabos, limpeza e regularem da carburação, verificação da vela de ignição, substituição do filtro de ar, limpeza, regulagem e lubrificação da corrente de transmissão, engraxamento da suspensão traseira, substituição do óleo da suspensão dianteira e etc.  Depois disso, eu pessoalmente a lavei, dei uma encerada em seus plásticos e tanque e conferi alguns itens.  Pronto! Hora de partir, a XLX estava prontinha.



Equipamento

Nostalgia é nostalgia! Eu costumo viajar de moto sempre muito bem equipado - jaqueta com airbag
por exemplo, botas, luvas especiais, capacete de boa qualidade, malas especiais. 

Equipamento "politicamente correto" -  viajando pelo sertão da Bahia em Janeiro de 2014

Mas, para essa brincadeira com a XLX, achei que deveria usar a vestimenta mais parecida com o que usávamos nos anos 80. Quer saber ? Deixei o "politicamente correto" pra trás, deixando um capacete moderno em casa e usando um antigo que certamente está ressecado e ineficiente com quase 30 anos de fabricação, mas a vida é repleta de escolhas, e pra essa pequena viagem abri mão de alguns confortos para satisfazer a outras necessidades.

Garimpei nos armários uma antiga luva que ganhei de um amigo motociclista, dizia ele na época que era dos motociclistas da Policia Rodoviária Federal, mas sinceramente não posso afirmar isso, havia naqueles tempos uma "lenda" que botas, luvas e toda sorte de produtos oferecidos a motociclistas eram iguais aos da Policia Rodoviária Federal e que eram as melhores. Não sei se era alguma estratégia precária de marketing, ou se realmente a fonte era essa.  

Posso dizer que a luva é muito confortável, gostosa mesmo!  Muito diferente das modernas luvas de motociclista que não vestem "igual uma luva", aliás, em conforto as modernas recebem nota muito baixa,  embora compensem toda falta de conforto na proteção oferecida. Eu tinha consciência, a proteção que luva que ganhei de presente do velho amigo me oferecia era mínima.  Mas vamos lá...

O capacete, ahhh que alegria, finalmente poderei usar aquele velho Taurus Cross que consegui arrematar num leilão eletrônico há alguns anos. O capacete impressiona por duas razões, primeiro, por ele ser exatamente igual ao que eu usava nos anos 80 - até a cor é a mesma - Bingo! depois, pelo incrível estado em que se encontra. O capacete me foi entregue inclusive na caixa original da Taurus, ele nunca havia sido usado, está absolutamente em perfeito estado. Tive apenas que colocar um óculos (moderno) pois ele veio sem o óculos de época. 


Até mesmo o selo do Inmetro já existia naqueles tempos, sabia disso?:


Calça Jeans, camiseta, "jaqueta de nylon" e um tênis reforçado completaram o conjunto.




A "aventura".

Não consegui até hoje classificar o que seria uma viagem de moto e o que seria uma aventura. Acho que é mais ou menos como a historia do Cação e Tubarão: quando esta na mesa, sem duvida é Cação - é feio falar que se comeu um tubarão, não é mesmo?  E quando estamos mergulhando e vemos um... bem, ai é um Tubarão!  (bem mais imponente!). 

Talvez as aventuras de moto sejam assim, simples viagens.  Não da pra dizer se é pela distancia, pois 300 km é pouco para uns e muito para outros. Cruzar fronteiras?  talvez, mas sinceramente eu acredito que a diferença esteja mesmo no SENTIMENTO do motociclista!

Sábado, 08.00h e a XLX roncava agradável, grave, saudável na garagem de casa, o tanque de combustível, é claro (sujeito ansioso lembra?!) havia sido completado na noite de sexta, pneus calibrados. Bastava ajustar a cinta jugular do capacete, colocar os óculos e moto na estrada!

O dia não podia ser melhor!  Dia típico de inverno brasileiro (apesar de estarmos no outono), céu azul, poucas nuvens, temperatura baixa pela manhã, e uma massa de ar seco que garantia ausência de chuvas nos próximos dias, talvez meses!

Infelizmente na sombra não foi possível ver o sorriso no rosto do piloto!


A XLX se comportou bem nos primeiros quilômetros, lembrando dos tempos em que trabalhava como piloto de testes na revista Duas Rodas, resolvi anotar tudo que acontecia na moto, consumo, horários, ocorrências, de forma a poder descrever a viagem com a maior fartura de informações possível.

Quando comentei com o Cícero Lima quer faria essa viagem, ele até cogitou me acompanhar usando uma moderna Honda XRE300 e traçarmos um pequeno comparativo - seria interessante - mas ele não conseguiu se desvencilhar dos compromissos e acabamos deixando essa pauta pra outra ocasião.

Mantive a XLX na faixa de 100 a 110 km/h (de velocímetro), velocidade que ao mesmo tempo não forçava desnecessariamente seu motor, me permitia ter uma sobra de potência pra uma eventual necessidade, e era compatível com a velocidade do fluxo da estrada.

Em um dos trechos, fiz uma medição de velocidade usando um GPS (de celular), e a 100 km/h cravados no velocímetro, a velocidade apontada no GPS era de 97 km/h.  Diferença bem razoável, alinhada com a diferença apontada pelas motos mais modernas. A velocidade máxima que consegui foi de 145 km/h no velocímetro - deitado atras da pequena carenagem de farol - 139 km/ no GPS. A "velhinha" mostra sua vitalidade!

Até o celular ajuda a ter informações hoje em dia!


Quando vou a Ribeirão Preto usando a Hayabusa, costumo fazer uma viagem "non-stop", aproveitando até a ultima gota do tanque de combustível da moto e sem parar, conseguindo um rendimento legal na viagem. Mas com a XLX a historia era outra, fiz 1 parada na viagem. Parada daquelas legais, de tirar a jaqueta, tomar o refrigerante, comer a coxinha - com a desculpa de deixar a moto descansar um pouco - mas na realidade querendo mesmo é eternizar aquele momento.

Os pneus, Pirelli MT40 são razoavelmente barulhentos no asfalto a essa velocidade. Nada que incomode, e alias, uma característica de pneus de uso misto até hoje. A frente da moto oscila um pouco acima dos 120 km/h, mas nada que alterando a posição do corpo, transferindo um pouco de peso pra dianteira não resolva.  Uma regulagem na pré-carga do amortecedor traseiro (comprimindo um pouco a mola e naturalmente transferindo mais peso pra dianteira) resolveria definitivamente essa situação.  As matérias antigas publicadas na época do lançamento da XLX atribuíam ao para-lamas dianteiro ser alto esse efeito, causado pela má aerodinâmica, mas não tem nada a ver e não faz o menor sentido, pois como disse, eu apenas distribui melhor meu peso sobre a motocicleta e a oscilação parou - o para-lama não foi substituído! 

O consumo médio foi de 22,65 km/l - sinceramente achei que seria bem melhor. Com a hayabusa por exemplo, viajando a essa velocidade teria feito uns 20 km/l. 

Em pouco mais de 3 horas e o passeio havia terminado, a XLX fez a viagem com tranqüilidade, sem apresentar o menor problema ou pane. Voltará de carreta pra casa, não por necessidade mas sim por opção.

Voltando de carona!


Tecnologia (ou sua ausência)

Detalhe que chamou atenção durante a viagem é a quase total ausência de informações sobre a saúde mecânica no painel. Conta-giros, velocímetro, luz do neutro, farol alto e piscas era o que entendíamos por um painel completo naqueles tempos (incompletos não tinham o conta-giros por exemplo).
Painel XLX350R

Nos dias de hoje temos muita informação a mais nos painéis, como quantidade de combustível no tanque, autonomia, temperatura do motor, indicação de problemas na injeção eletrônica, abs e etc.


Parece bobo, e que um conta-giros e velocímetro são o suficiente, mas o fato é que a tocada muda, durante a viagem por exemplo, notei que havia de prestar maior atenção nos ruídos mecânicos, na temperatura que percebia nas pernas, na suavidade do funcionamento - para ter certeza, de tempos em tempos que tudo estava bem e podia continuar rodando.

  Hoje em dia a eletrônica faz isso por nós!

Qual será a próxima?

A experiência foi boa, saber qual será a próxima moto a fazer uma viagenzinha.... Talvez a Vespa? Ou  será a XL250R?

Veja mais sobre a XLX350R nos links abaixo:


Você curtiu a pequena aventura da XLX? Encontre outras aventuras publicadas neste site.



6 comentários:

  1. Oi tenho 49 anos, sou de ribeirão preto. Já tive varias motos durante os meus 30 anos de motociclista.
    Hoje tenho uma xt660r 2012. Que fica mais na garagem do prédio, do nas ruas que deveria ser o lugar dela.
    Tive varias xlx350: 87 (branca e azul), 88 preta igual a sua (considero a melhor moto que eu tive ate hoje), azul e amarela 89 e azul 90. Fora as 250 xl´s e xlx´s. Fiquei com inveja da sua pequena viagem . Acredito que foi uma viagem aos anos 80. Um grande abraço.

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  2. tenho 3 xlx 350 não são do meu tempo de jovem até porque, quando fiz 18 anos elas já eram fora de linha a 6 anos mas confesso que é uma ecelente moto.

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  3. Olá. Legal sua aventura. Eu comecei a pilotar tarde, se bem que tudo tem sua hora, tenho 51 anos e tirei carta de moto já com mais de 40! Das motos antigas admiro a XLX 350, penso em comprar uma em breve, mas com o aval de algum mecânico, sou leigo em mecânica. Por enquanto vou fazendo as minhas viagenzinhas numa Dafra Kansas 150, tipo de 100 km de distância, SP- Campinas, SP- Santos, SP - Jarinu...mas meu sonho mesmo é a XLX 350, nem pra viajar, só pra curtir na cidade de SP mesmo. Valeu!

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  4. Meu.. que legal estas suas aventuras.... eu tive também dentre várias motos, uma XLX 350, ano 87, partida no pedal... e diga-se de passagem tinha que ser Xiseleiro pra poder ligar a máquina....to procurando uma XLX 350 em bom estado ou uma Tenere 600.... só pra poder andar aqui pela serra da Cantareira em são Paulo.... até mais meu irmão....

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  5. É realmente uma volta ao tempo, hoje faz 1 ano e 2 meses que sou proprietário de uma xzlona e já fiz algumas viagens curtas de 300 km com essa clássica enduro. Tenho uma bmw gs 650 e andar com a xzlona é ser criança de novo!

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  6. Ótima moto, tive duas pretas uma 87 e outra 88, me arrependo até agora de ter vendido. Tenho uma super tenere 750, mas se Deus quiser vou buscar uma pra nao vender mais. assim como estou fazendo com a super

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