sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

COLECIONADOR DE AMIGOS!

Na longa jornada atrás de procurar motos antigas, peças, catálogos, folhetos de época, garimpar revistas, pesquisar e publicar matérias neste site, nas longas e curtas viagens que fiz de motocicleta, nos tempos que trabalhei com o pessoal da Revista Duas Rodas, conheci pessoas.

Talvez seja essa a maior pérola que o motociclismo me trouxe!




Vou relatar algumas historias abaixo:

Compra e venda!

Outro dia um vizinho me disse que queria vender uma XLX350R 87 (moto com apenas 8.000 km e que vejo na garagem do prédio ha pelo menos 20 anos), me perguntou se podia ajuda-lo na venda.

Incrível como foi rápido, disparei cerca de 5 torpedos (sms) pra 5 amigos diferentes com uma foto tosca da moto, tirada no escuro da garagem, e em questão de instantes, sem mesmo vir pra ver a moto, a moto foi vendida.  Fiquei pensando, será que no dia que eu resolver vender algumas de minhas motos vou conseguir com tamanha facilidade?   preocupação boba, pois elas não foram compradas para serem vendidas...

Bem, o fato é que aproximei comprador e vendedor e o negocio aconteceu.  Ai, a moto merecia uma revisão, e passei pro amigo comprador uma listagem com vários emails de amigos que vendem peças de motos antigas, e neste momento me dei conta de quantos amigos surgiram nessa jornada - a lista não era pequena!

A XLX que o amigo vendeu, e outro amigo comprou...


Encontro dos amigos...

Ha uns 1 anos e ½, promovi em casa uma festa para comemorar a Placa Preta de minha XL250R 1984, a vermelhinha, e foi outra ocasião na qual vi quantos amigos relacionados ao tema surgiram e mais, não apenas surgiram amigos pra participar da festa (ai é fácil, né?) mas também amigos pra organizar a festa. A Banda que tocou musicas dos anos 80 selecionadíssimas pra agradar a Vermelhinha, foi de amigos motociclistas, um deles colecionador, outro o próprio mecânico que cuida da moto na concessionaria da cidade, e outro motocicleta mais moderno, mas ainda assim ligado ao tema.  A decoração veio da oficina de outro amigo, algumas motos emprestadas pra decorar o salão de um colecionador da região, até mesmo a parte de marketing, ambientação e decoração foi "na amizade", desta vez não por um motociclista, mas por um marqueteiro que "comprou" com paixão a ideia de fazer uma festa de aniversário para uma motocicleta! (tem alma de motociclista!)... O fato de ter sido "na faixa" não é tão importante, pois com influencia você consegue muitas cortesias por ai, mas o que chamou a atenção foi o amor, o carinho com o qual cada um desses profissionais fizeram sua parte e transformaram uma simples brincadeira, a festa de aniversário de uma moto, numa verdadeira festa e confraternização de amigos. As motos, grandes estrelas da festa, passaram a ser coadjuvantes de um grande encontro de amigos motociclistas!

festa de 30 anos da "vermelhinha"

Festa de 30 anos da "vermelhinha" - muitos amigos!

Festa boa! tinha rock, tinha amigos, tinha motos!


Amigos da estrada!

Na estrada aconteceram dois casos muito interessantes, longe, bem longe de casa.

O primeiro caso aconteceu em 2001 e 2003, quando fui pra Ushuaia com a Yamaha R1 Azul e depois voltei com a Suzuki Hayabusa Azul. Os postos na ruta #3 na argentina são raros, e muitas vezes chegamos lá no limite da gasolina do tanque, naqueles tempos, ha quase 15 anos, havia sim um fluxo de motociclistas procurando chegar ao "fim do mundo", principalmente no verão, mas ainda assim eram poucos! (me lembro de em 1 dia, rodar mais de 1.000 km e cruzar apenas 8 ou 10 veículos - em sua maioria carretas). Eis que, em 2001, quando estava "descendo" pra terra do fogo, parei para abastecer a moto (e o piloto) num posto, na altura da cidade de Porto Deseado, um daqueles postos que fica vazio, no meio do nada. Conversa básica com o frentista atencioso, de onde vem, pra onde vai (respostas meio obvias, mas precisava conversar...tanto eu quanto ele, no meio daquele nada)... abasteci a moto, comi alguma coisa e fui embora.  Na volta, parei novamente naquele posto e bati papo com o frentista, que ficou feliz em me ver e saber que tinha conseguido ir e voltar em uma moto esportiva daquele tipo...
... passaram-se 2 anos, voltei pra lá, mas dessa vez com a Hayabusa.  Desdendo o continente, parei (obvio né?) no mesmo posto, e o frentista veio conversar e abastecer a moto.  Pra minha surpresa, perguntou se eu tinha gostado de Ushuaia, e eu disse que estava descendo ainda, mas ele disse, você esteve aqui ha 2 anos, não esteve? - oras, impossível pensei! como ele sabe?  eu afirmei ter descido sim. Ele disse que se lembrava, que inclusive lembra da moto, que era parecida com a atual, azul também, mas que era outra moto!  é mole?  sinal que ele lembrava mesmo!!! Ele riu, disse que a distração era prestar atenção nos que passam, ano apos ano, tipo das motos e etc, e que eu chamei muita atenção em 2001 com a esportiva azul!

O segundo caso aconteceu da mesma forma nas mesmas viagens, em 2001 e 2003, na mesma viagem pra terra do fogo com a R1 e com a Hayabusa.  Quando desci em 2001, tive um problema com pneus e lá na ilha mesmo, nas estradas de rípio, meu pneu chegou a ficar numa situação tão ruim, que eu o reparava varias vezes e ele voltava a furar, pelas pedras soltas e por estar realmente muito deteriorado, numa das paradas para consertar o pneu,  estava em frente a uma fazenda de ovelhas, e resolvi caminhar os 500 metros até a sede e conversar com alguém que estivesse lá. Fui atendido por um cara muito simpático e prestativo, não vou me esquecer seu nome tão cedo, Sábio Andrade.

O pneu tava baleado, furava várias vezes por dia, os remendos tipo "macarrão" não davam mais conta!

Essa era a fazenda do Sábio, e foi essa distancia que percorri a pé para conhecer o amigo!

Tudo muito precário, mas pudera, tava ha uns 200 km do "fim do mundo"...

Sábio Andrade. Amigo da estrada! ou anjo da guarda?

Almoço com a família dele!

Me ajudando a levar a moto até o Porto de Pouvenir, pra atravessar o estreito de Magalhães rumo a Punta Arenas.


 Era cedo, ele recolheu a moto na garagem da fazenda, me ajudou a desmontar o pneu, consertamos com remendo interno e me ajudou a montar. Isso tudo demorou, pois as ferramentas eram improvisadas, a moto suspensa por um toco de madeira, enchendo pneu com bomba manual (pra dar o estalo e entrar no aro demorou horas e demandou muito suor de ambos), Sábio me convidou pra almoçar na casa dele, com a família e no final do dia, quando a moto estava pronta ele me disse que estava indo na mesma direção que eu, o Porto de Pouvenir, e me deu carona numa caminhonete até aquela cidade, onde, bastava atravessar a balsa e eu estaria em uma cidade grande, Punta Arenas, e poderia comprar um novo pneu. Bom, a historia é bonita, mas o que tem por vir...  Quando voltei em 2003, depois de ter encontrado o amigo frentista em Puerto Deseado, continuei descendo e quando cheguei perto da região da fazenda comecei a procurar pela fazenda e pelo Sábio, até mesmo foto da fazenda eu levei pra facilitar a busca. Logo achei a fazenda, desci e procurei por ele, mas me informaram que ele havia mudado para Rio Grande, uma das cidades da ilha da terra do fogo, e que seria difícil encontra-lo.  Deixei um bilhete, para caso ele aparecesse por lá...  segui minha viagem.  Cerca de 50 km de rípio pra frente, há a fronteira Chile/Argentina e eu parei, desci para fazer minha documentação. Quando tiro o capacete e olho em frente, num carro, ha poucos metros de onde eu parei a moto para fazer os tramites, estava o cara! Sábio?! gritei... ele sorriu.  Nos abraçamos, disse a ele que estava muito feliz por encontra-lo e pra mais uma vez agradecer o favor que ele tinha me feito... ele, sorrindo ainda, disse: - pra amigo não se diz obrigado!


A verdadeira coleção!

Por isso, muitas vezes me flagro refletindo:  será que coleciono realmente as motocicletas? ou elas são apenas um atalho pra verdadeira coleção - a de amigos?!

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Um comentário:

  1. Na verdade, o melhor da motocicleta são as histórias que elas nos proporcionam viver.

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