quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

O ultimo suspiro de liberdade...


Outro dia, conversando com Tiago Songa,  organizador do evento Pé na Tábua, TT - Barra Bonita, do qual o Motos Clássicas 80 participou com Stand, falávamos sobre as motos dos anos 1980 e as que vieram depois...  Depois de trocar umas ideias, regadas por algumas cervejas, relembramos que não é apenas a idade que faz a moto ser clássica, memorável, desejada, lembrada...

Imagine que daqui a alguns (poucos) anos, a Honda Today 125cc vai ter completado 30 anos, vai ter direito a receber placa preta, seu proprietário vai querer participar de exposições. 

Diferente de uma "CG bolinha" do final dos anos 1970, ou "a quadradinha" do começo dos 1980, a Today não tem apelo algum, e possivelmente nem terá.  Mas porque?  Discriminação?

Nada disso!

Bem, pra explicar isso temos que voltar no tempo, entender um pouco das diversas fases do motociclismo no Brasil.

Nos anos 1970 haviam as importadas, eram o simbolo máximo de rebeldia, elas eram citadas em musicas, haviam rachas e disputas em ruas das capitais, havia toda uma cultura no entorno delas - o hippie, as drogas, a calça boca de sino, o rock and roll,  os escapamentos abertos que gritavam madrugada a dentro, os rachas, as corridas, o Jacaré e outras lendas urbanas.

Nos anos 1980,  tivemos o que chamo do  ultimo suspiro de liberdade relacionada a motocicleta, apareceram as nacionais, as trails, o Brasil inteiro passou a praticar o enduro, haviam os campeonatos de motocross (mundial inclusive), as marcas japonesas se consolidaram por aqui e lançavam a cada tanto uma novidade, apareceram as europeias, Cagiva disfarçada de Agrale, a espanhola Montesa, ambas com sangue muito quente, barulhentas, fumacentas e completamente ignorantes já de fábrica, a Honda 750cc que havia desaparecido de nossas terras nos anos 1970, voltou, exibindo seu 4 cilindros em linha, foi disputada à tapas nas concessionárias do pais, enfim, era um época em que a moto ainda era simbolo, não apenas de status, muito mais profundo que isso, era simbolo de rebeldia, de personalidade, de atitude e de liberdade.




Dai vieram os anos 1990, e as tais "todays" - sem discriminar, por favor, longe disso. Mas os anos 1990 foram o momento mágico em que a rebeldia e o prazer de pilotar foram trocados pelo guidão profissional, as 125cc proliferaram pelas avenidas, transportando documentos, pizzas, sanduíches... e o romantismo ligado a motocicleta foi se esvaindo. 

Não quero dizer com isso que, os que amavam motocicletas deixaram de ama-las, digo que, se representávamos 100% dos motociclistas, passamos a representar 10%... talvez menos.

Ahh mas não foram apenas horrores não, neste mesmo momento, no começo dos anos 1990, entraram de volta as importadas, grandes cilindradas que nos permitiram pegar estrada e futricar os 4 cantos do mundo sobre essas máquinas maravilhosas, ah dessa turma eu fiz parte! certamente você que nos lê também tenha boas recordações daqueles momentos e daquelas máquinas.

Não tenho duvida alguma que algo dos anos 90 que será colecionável nos próximos anos:  Uma DR800, uma SuperTénéré 750cc, uma CBR1000RR , V-Max, a família Ninja, e mais pra frente, uma Hayabusa, YZF-R1...  mas as "today", temo que realmente não terão seu espaço ao sol, talvez em alguma coleção especifica de Hondas ou de baixas cilindradas, ou de motos profissionais... 

Prova inequívoca que não é o ano de fabricação que faz da antiga uma clássica e sim a paixão que ela desperta em um determinado grupo!

E pra você? Qual foi a sua favorita nos anos 90?

2 comentários:

  1. Saúde & Paz.
    Por estas e outras que tentarei ficar com minha Virago 535, se possível
    para sempre.
    Moto impar, que já quase não se vê por aqui.
    Abraços.

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  2. Com certeza a XT 600 vai ser lembrada hoje e sempre. Mas e as européias que não foram vendidas aqui regularmente? Nessa lista, coloco no topo, a Moto Guzzi Le Mans 850(3) e dos anos 90, a Le Mans 1000. Sensacionais.

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