quinta-feira, 4 de maio de 2017

A galinha choca (e as motos com isso !?!...)

Outro dia fui ainda repreendido por tanto falar de moto, e procurando mudar de assunto lembrei-me que, aos 13 anos, meu primeiro trabalho foi como "granjeiro", sim, criava aves e para me locomover e fazer a entrega dos ovos eu tinha uma Monareta (ei..não era pra falar de motos... 😕)... ah é...



Um dos temas que mais curtia na minha pré-adolescência de "empresário-granjeiro" era justamente o período do choco, quando as patas e galinhas caipiras, interrompiam suas atividades, mudavam seus comportamentos, abstinham-se até mesmo de alimentar-se corretamente, ficavam agressivas, e focavam, unica e exclusivamente em sentar-se sobre seus ovos, dia após dia, não importando as condições climáticas, aqueles ovos eram defendidos de animais muito maiores do que elas, ignorando o medo, praticamente cegas e tendo um único objetivo em mente - choca-los!




 No caso das galinhas, me lembro claramente, eram (e ainda são) 21 dias...

As patas demoravam um pouco mais, 28 dias, mas as vezes as galinhas davam conta de chocar os ovos de patas, e demoravam a se dar conta dos diferentes filhotes que haviam nascido..


Mas, sério mesmo?  galinhas?... isso aqui não é um site de motos? 

Pois é, a introdução e as fotos foram só pra despistar os chatos, agora que já mudamos o foco e espantamos o "reclamão", podemos voltar ao tema, mas já que falamos nas galinhas, vamos aproveitar o gancho pois - com as motos as vezes nós precisamos chocar também!

Quem busca colocar em sua coleção motos sem restauração, originais, e não quer ficar 1/2 vida garimpando, ou pagar verdadeiras fortunas por uma moto de 30 anos em mint condition*  tem uma opção, eu passei por essa situação de "chocar a moto" por uma vez, e estou passando pela segunda agora, explico: a longa espera compensa...:

O "choco" da XL250R

XL250R aguardou muitos anos pra merecer a placa preta

A primeira vez foi com a XL250R que ganhei aos 15 anos de idade, de meus pais e que recebeu placa preta em 2014, não tinha outra opção, a moto a ser conservada era AQUELA, nenhuma outra merecia o espaço que a "Vermelhinha" ocuparia, então tive mesmo que esperar... conheça a historia dessa XL nas matérias publicadas abaixo:



Desde que eu decidi aposentar a "Vermelhinha" no final do século passado e aguardar pela esperada placa preta, foram quase 15 anos, é difícil, pois não basta encosta-la e esperar, isso a destruiria, a ferrugem a consumiria e o sonho não se realizaria, assim como a galinha deve dedicar-se aos ovos, o colecionador deve dedicar-se a moto, cuidando, andando, trocando óleo, abastecendo, funcionando, limpando, encerando, fazendo revisões, trocando peças enfim, lutando contra o tempo - o tempo todo.

A nova empreitada

Primeiras fotos que recebi, da moto ainda na loja em SC
E agora, no mês passado, me meti em uma nova empreitada, que está entrando na chocadeira agora e vai esperar pouco mais de 10 anos pra merecer a placa preta, e nesse meio tempo vai apenas passear aos domingos, receber revisões, ter seu estoque de peças incrementado, receber polimentos e etc...

Foi a aquisição de uma Yamaha YZF-R1 2001 (00/01), mas a escolha da moto não foi ao acaso, a esportiva foi ícone na virada do século por ter quebrado paradigmas de peso e potência, praticamente inaugurando uma nova categoria de "super esportivas", mas para mim tem um significado especial, pois a moto que encontrei é idêntica a que tive em 2001 e com a qual me lancei em aventuras pela America do Sul (Machu Picchu // Ushuaia são algumas delas), rodei com aquela R1 incríveis  100.000 km em apenas 18 meses...

Me interessei pelo anuncio e decidi comprar com o intuito de matar saudades, mas quando vi o estado da moto pessoalmente, percebi que, mesmo fugindo do tema de minha coleção (anos 1980) deveria inclui-la no meu acervo. Estava decidido!

Abaixo algumas fotos da R1 "original" que serviram de inspiração para a compra dessa "nova R1"...

Aos pés do vulcão Licancabur, no deserto do Atacama em 2001

Na cordilheira Peruana, abastecendo a superesportiva de forma precária, em 2002

Na cordilheira Chilena, em 2002
Em Vinha del Mar, Chile, em maio de 2002, depois
de ter Cruzado o continente em apenas 26 horas
(Iron Butt Coast to Coast 30)

Em algum ponto da Rodovia Belém-Brasilia, rumando a São Luis do Maranhão
Pois é, não é preciso dizer que, rodar os primeiros quilômetros com a "nova R1" depois de 15 anos foi emocionante.  Encontrar uma motocicleta mantida em estado original, tudo original, escapamento, setas, para-lama, tudo muito conservado, foi agradável demais!






Agora realmente, basta ter paciência, saber esperar até 2030...   pra curtir a placa preta!

Talvez, no choco das galinhas, esteja a chave pra não perceber - que a vida passa rápido demais!



* nota:  mint condition é um termo norte americano, mas também usado entre os colecionadores de diversos itens aqui no Brasil, indica itens em condições absolutamente originais, intocadas, em "estado da arte".


Um comentário:

  1. Cara, achei muito legal a idéia de chocadeira. Tenho vontade de fazer a mesma coisa com uma Fazer 250 07/08 do meu pai, que tinha encostado a coitada, há uns anos atrás. Levei minha casa, revisei, e agora vive em paz no estaleiro, e as vezes cumpre o papel de me levar pro trabalho. Como ela estava muito original na época, optei por deixar desse jeito até hj, efetuando apenas pequenos reparos. Falta apenas a alça do garupa, que meu pai não lembra onde deixou (tem um bagageiro aftermarket no lugar), e tem um "tank pad", colocado na época que ele rodava.

    Pow, ela é a primeira moto popular brasileira com injeção eletrônica!

    Até acho estranho, que uma moto nova dessas já tenha 10 anos. Mas em compensação, hoje ela já chama alguma atenção, por estar íntegra e original. Pretendo deixá-la assim, bem longe dos tungadores de plantão.

    Já vejo fazer flex bem mais judiada do que a moto do meu pai.

    Parabéns pelo blog! muito legal!

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