Um rastro de fumaça e desejo

Chegar na fronteira com o Uruguai foi uma grande vitória
Quando a Agrale chegou ao Brasil, lá no inicio de 1985, com a SXT 16.5 os amantes das motos logo abriram um sorriso, "opa tem coisa nova chegando". A promessa da tecnologia Cagiva e os motores dois tempos de 125 cc com 16,5 cavalos, logo fizeram brilhar os olhos dos amantes das máquinas europeias. Também tinha aquele povo, assim como eu, que não queria andar de Honda ou Yamaha, gente que buscava algo diferente.
Tive três Agrales entre o final da década de 1980 e começo dos anos de 1990, uma Elefant SXT 27.50 e duas Elefantre 30.0. Fui muito feliz com elas e fiz grandes viagens pelo Brasil e também pela Argentina e Uruguai. Mas não é das minhas viagens que gostaria de falar com os leitores, quero falar da paixão e agradecimento.




Os caras mandavam bem!!!

Em primeiro lugar gostaria de agradecer ao Zé Rubens, irmão do meu grande amigo Luiz Augusto que nos apresentou sua Agrale. Foi paixão a primeira vista, vendi minha XL 125, ano 1984, e parti para uma Agrale.
Nesse processo eu conheci os irmãos Gilberto e Elder, donos da AGE Moto, aquela do bairro do Ipiranga em São Paulo (SP). Os caras foram super gente boa comigo e sempre deram muito atenção.
Na verdade a marca Agrale deve muito a eles, os caras adoravam as motos e sabiam atender os clientes com muita atenção e respeito.
Tivemos problemas na viagem, mas deu tudo certo
Alem disso, os caras tinham muita visão e gostavam de ajudar os viajantes. Ai a coisa ficou ainda melhor. Eu sempre gostei de viajar de moto e junto com o meu amigo/irmão Marco Aurélio preparamos uma "expedição" para o exterior, leia-se o Uruguai.
Hoje damos risada de uma viagem como essa, mas no começo dos anos de 1990 o Uruguai ficava mais longe...
Não deu outra: tivemos todo o apoio do Gilberto e do Elder. Eles nos emprestavam a oficina e nos deixaram levar as peças sobressalentes. "Peguem o que precisar, o que vocês  usarem pagam na volta". Enchemos as motos de vela, cabo de embreagem, cabo de acelerador, câmara de ar e até pneu sobressalente e e partimos para a viagem que mudou a história da minha vida pessoal e profissional, mas aí são outros causos.

Só tirar pedido não basta

Muita gente viajou com o apoio da AGE Moto
Na verdade queria agradecer publicamente ao Gilberto e ao Elder pela amizade e atenção, Eles foram os verdadeiros "Anjos da Agrale" pois representavam a marca com grande dedicação, até mesmo quando as motos deixaram de ser fabricadas no Brasil.
Eles fazem parte de uma geração de comerciantes que se envolviam com as motos e não apenas "tiravam pedido".
Confesso que parece haver cada vez menos gente assim no mundo das motos, a maioria é apenas um vendedor que não conhece a moto e prefere não se envolver com o cliente.
Outro agradecimento vai para o Renato Gaeta, um especialista em Agrale que muitos nos ajudou, mas esse cara merece uma matéria só para ele que um dia escreverei aqui no Clássicas80.

O resultado de tanta dedicação também pode ser conferido nas páginas de classificados. Elas mostram que tais motos - em ótimo estado - são raras e desejadas. Prova disso são os preços que chegam aos R$ 15 mil. Eu, se tivesse uma conta gorda, não deixaria de ter uma Agrale na garagem para relembrar das minhas viagens e de tanta gente legal que conheci graças a essas máquinas fantásticas que sempre deixavam um rastro de fumaça, o cheirinho de óleo 2T e muita gente desejando ter uma na garagem.

Comentários

  1. Boas motos, mas uma pena que enquanto a Cagiva dava continuidade na evolução delas(menos peso, melhor aproveitamento da potência, alimentação evoluida), aqui elas estacionaram. Boas lembranças.

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  2. Adoro as motos agrale foi minha primeira moto. hj tenho 01-ex 01-elefantre 01-quadriciclo lavrale 01 triciclo lavrale 01-ciclomotor xt e 01-jetski com motor agrale 30.0 em breve pretendo fazer uma coleçao apenas de agrales. alem de posters de epoca, de roupas da griffe agrale sport mtas coisas de agrale.

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  3. Outro detalhe do sucesso que essas motinhas 2 tempos faziam, é que na Itália, de 1984 até mais da metade da década de 90, Aprilia, Gilera e Cagiva eram líderes de vendas, com a melhor japa(ora Honda, ora Yamaha), ficando com a quarta posição .

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  4. eu sou outro que me encaixo no perfil ...XL 250 era pesadona, XL 125 e DT 180 dava raiva na estrada... ai surge uma moto diferente, e conquista meu coração.... hoje repousa na minha garagem uma Dakar 87 com 12 mil kms originais.. eu lia e relia as revistas da época, com as aventuras por terras distantes, testes e mais testes com cada versão... etc... embalou meus sonhos de menino, que hoje, com 53 anos, ainda ouso sonhar, ate mesmo, quem sabe, uma longa viagem com uma veterana Agrale, quem sabe ate mesmo preparada pelo Mestre Gaeta... Parabéns pela bela homenagem da postagem...certos comerciantes, são muito mais que simples comerciantes...

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  5. Também devo muito ao Gilberto, muito gente boa. Morava perto da AGE e foi graças à ele que pude ter uma especial de trilha, Husqvarna.

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