Em uma época de inocência...

Eu tinha apenas 15 anos e naqueles tempos, no interior do estado, em cidades pequenas, havia uma certa liberalidade da polícia com relação a menores de idade pilotando motocicletas e dirigindo automóveis. Na realidade minha primeira moto tive aos 13 anos...  mas, na historia que conto hoje foi protagonizada  pela "vermelhinha"e quando eu já tinha 15 anos...

Hoje, olhando para trás entendo que essa viagem de apenas 100 km, foi a maior aventura que fiz sobre uma motocicleta em minha vida, e, não pode-se dizer que minha vida em duas rodas foi pacata...
Era uma tarde de verão, meu pai trabalhava e minha mãe cuidava de casa. O costume naqueles tempos (que me perdoem os politicamente corretos) era pilotar sem capacete - ao menos dentro das cidades. E como eu tinha permissão de meus pais para apenas andar na cidade, nunca usava capacete.
No entanto, por sorte, eu tinha um, um belo "taurus cross vermelho"...

Naquela tarde, peguei escondido meu capacete (que ironia né?, hoje temos que nos esconder pra pilotar sem ele...) e sai pra dar uma "motocada" - mas já havia planejado uma motocada diferente, um pouco mais arrojada... e assim foi.

Saindo dos limites feudais que anteriormente me foram impostos, me afastei dos limites da cidade, como eu era grandão e usava o capacete, sabia que não chamaria atenção da policia nas estradas, e segui em direção a pequena e pacata cidade de Joanópolis, que fica a cerca de 50 km de distancia de Atibaia, onde vivo.

A estrada é linda (permanece igual até hoje), cerca de 25 km de asfalto convencional e outros 25 km também de asfalto mas em uma região com muitas curvas, as margens da represa do Jaguari-Jacareí (a tal do sistema cantareira que andou sem água tempos atras...)

A represa Jaguari-Jacarei (a maior e mais importante do "sistema cantareira")



A viagem foi uma delicia, solitário, literalmente "sem lenço e sem documento", segui com a minha XL250R em uma jornada rápida porém inspiradora, que me fez imaginar o quão longe uma motocicleta poderia me levar, e ali, ainda aos 15 anos de idade, os planos começaram a surgir em minha cabeça.

Meus pais vieram a saber dessa "aventura" apenas quando a XL completou 30 anos e ganhou a merecida placa preta, durante o discurso que fiz na festa de aniversário dela...

Foi o maior barato! Era uma época de inocência.

Todos nós temos uma história, por mais simples que seja, um passeio, uma viagem, uma moto, um ronco, que inspirou nossa vida em duas rodas, mais ou menos como "o primeiro beijo" para as meninas, essa historia fica em nossa cabeça.

Você, caro leitor, certamente tem uma também... qual foi? compartilhe com outros leitores, comentando aqui....


Comentários

Giancarlo disse…
hummmm acho que vou pegar minha Monstrossaura Dakar 87 e te fazer uma visitinha por esta estrada.....
Boas lembranças de bons tempos....
João Pedro Arend disse…
Muito legal poder ler histórias assim!
Jóia!
Muito legal relembrar essa época. Imagina final dos anos 70 e início de 80. Aprendi a andar numa Yamaha RS 125, foguetinho, nada de capacete, liberdade total. A tranquilidade dessas pequenas cidades, uma paz sem igual.
Antonello disse…
Não realizei nenhuma pequena viagem mas, com meus 8 anos, meu irmão mais velho com 11 ganhou uma motinho 50cc 2 tempos uma Aldee Big Wheel, tinha pneus pequenos e bem "gordos" com pequenas cravas, era o mais próximo que podíamos chegar das tão cobiçadas motos de cross as quais eramos apaixonados.. o ápice seria uma 80tinha, yz, cr, quem dera.. mas, a pequena big wheel náo deixava em nada a desejar, era uma motinho robusta e forte.. pois bem, estudávamos em horários diferentes, então tinha a tarde livre, era chegar na garagem e ponderar: andar licitamente em minha caloi ou ilicitamente em uma moto q não me pertencia e que nem sabia andar haha "é só uma voltinha rápida pelo bairro, ninguem nem vai perceber que andei".. pegava o capacete de cross da BF que sobrava na cabeça e saía andar pelo bairro, estradas de terra, pequenas lombadas.. na minha cabeça era a mesma cena de uma corrida de motocross.. quando voltava pra casa fim da tarde, parava pra abrir o portão, tirava o capacete, era final de aula de uma escola que tinha perto, parava do lado da motinho e ficava olhando as meninas passarem, me sentia no auge né, achava que era O bad boy, rebelde fora da lei, destemido.... enfim, tempos de inocência!