A clássica chegou! E agora?



A tão sonhada hora, depois de convencer a família,  de tanto garimpar, de tanto procurar, de tanto ver motos que não agradaram... a clássica pra chamar de sua, chegou!!!  Parabéns!  Mas, não pense que a faina termina por ai não, agora é hora de ver se realmente está tudo em ordem e se a moto é mesmo tudo aquilo que o vendedor falou...

Ao fazer a revisão em seu próprio espaço, tem a vantagem de saber exatamente como está cada item...e o melhor de tudo:
pode contar com a ajuda dos amigos!!!


A não ser que você tenha comprado uma moto recém restaurada, ou talvez recém revisada - mas "revisada meeeesmooo" - vai acabar sentindo-se na obrigação de fazer uma revisão nela.






A Revisão de entrada!

Desmonta tudo, olha tudo, confere tudo...
Eu chamo de "Revisão de Entrada", e é praticamente a mesma que faço em todas as motos que incluo no acervo.

Considero essa revisão importantíssima, pois ao desmontar eu vou conhecendo a fundo a moto que entra na coleção, providencio com tranquilidade peças que estejam desgastadas ou danificadas, e garanto que ela voltou, mecanicamente falando, ao estado de zero km.  Isso me da a tranquilidade de curtir uma estrada com ela.

                   Primeiras coisas, primeiro!

Manual de oficina, felizmente na internet encontramos todos...
é uma ferramenta importantíssima neste momento.
Pra começo de conversa, vasculhe a internet e encontre os manuais de oficina da sua moto e o catalogo de peças.

Apenas com eles em mãos você saberá se cada parafuso está no lugar certo, se tinha ou não arruela, se era pra ser Allen ali ou Philips e etc. Também, usando essas tão importantes ferramentas, conhecerá o torque necessário a ser aplicado em cada um deles, sequencia de montagem e desmontagem e etc.

O Kit de peças..

Eu, com raras exceções, providencio de cara um kit de peças e materiais que, certamente serão trocados.

Mesmo que encontre o que está na motocicleta ainda em condições de uso, são peças razoavelmente baratas e que, no minimo vão garantir minha tranquilidade para os próximos "muitos" anos...  são elas:

- Rolamentos das rodas
- Rolamentos da caixa de direção
- Amortecedores da coroa de transmissão (caso a moto use)
- Pastilhas / Sapatas de freio
- Fluido de freio (caso a moto use)
- Fluido de refrigeração (caso a moto use)
- Óleo do motor
- Filtro de óleo
- Vela(s)
- Óleo da suspensão dianteira
- Retentores e guarda pó da suspensão dianteira
- Filtro de Ar
- Câmaras de ar (em motos que usam)
- Pneus (depende da situação - caso com mais de 5 anos de uso ou que estejam abaixo de meia vida)
- Relação de transmissão (apenas caso necessário).
- Mangueiras (de refrigeração, de freio, de alimentação do combustível etc).

Um dos itens que faço concessão à originalidade,
em algumas motos prefiro colocar filtros K&N

Mãos a obra!

Com esse kit em mãos, a revisão de chegada, que varia de moto pra moto, mas basicamente consiste em:

- Verificar bateria (cuidado com marcas "baratas")
- Reaperto de parafusos (chassi, escapamento)
- Verificação do funcionamento do descompressor (caso tenha)
- Troca de óleo
- Troca de filtro de óleo
- Troca da(s) vela(s)
- Troca do filtro de ar
- Troca dos rolamentos de direção e rodas
- Regulagem da folga das válvulas
- Limpeza completa e regulagem do(s) carburador(es)
- Substituição das mangueiras de combustível e verificação das de refrigeração/óleo se disponíveis.
- Lubrificação de todos os cabos e pontos de lubrificação da moto, e substituição se necessário.
- Engraxar (em motos que permitem) suspensão traseira e pontos de engraxamento diversos.
- Trocar pneus ou pelo menos as câmaras de ar por novas. Trocar os bicos das motos com pneu sem câmara.
- Verificação interna do tanque de combustível (a verificação previa ja foi feita antes da compra), para garantir que não tenha ferrugem.
- Eliminação compulsória de tudo que não for original, normalmente encontramos 600g de "esgana gato" (Fita Hellermann), filtros de combustível enfiados nas mangueiras (não originais), abraçadeiras de mangueira domestica e outras gambiarras inenarráveis.

Pode demorar um pouco, pode custar mais do que voce imaginava...mas,
quando fica pronta...ah ai da pra curtir sem preocupação.

Se você levar em alguma oficina de confiança, vai ser uma revisão razoavelmente rápida, pois não há nada de sensacional ai.  Mas, se resolver fazer você mesmo (se tiver habilidade e espaço, altamente recomendável), vai levar umas boas semanas ai mexendo na motoca e a conhecendo.

Ai sim, só alegria!

Moto revisada, é hora de curtir... um passeio de domingo, uma estradinha gostosa, é vida que segue!



Comentários

Mateus Brito disse…
essa DR800 aí... linda! To esperando uma reportagem só dela! Tenho uma ST750 aqui e sonho em ter uma DR800S compartilhando a garagem, e, curtindo o interior.
Diego Rosa disse…
logo vamos publicar um test drive dela então! valeu!!!
Sousa Jose disse…
Parabens pela materia !! Verdadeiro guia do que fazer ao adquirir uma classica !
Queria sugerir uma materia onde os leitores e inscritos indicariam as suas motos classicas preferidas em cada categoria de uso, acho que seria interessante .
O Diego poderia elencar talvez 5 de cada categoria e a turma votaria .
Diego Rosa disse…
bacana hein José. vou ver se conseguimos montar uma enquete.
Alvaro ME disse…
Bom dia, Diogo!

Eu, Alvaro, engenheiro mecânico, tive o prazer de ler sua matéria e ver que faço (quase...) tudo o que vc propõe...

Já restaurei uma DT 180 1982 (a qual fiz a "burrada" de vender...), uma DT 180 Six Speed 1983 que está com meu irmão, uma XT 600E 1999, preta e vermelha, que está comigo e, mais recentemente, comprei não exatamente uma clássica, mas uma moto que julgo interessante: uma XR 250 Tornado 2005.

Isto posto, gostaria de uma ajuda: com que tinta pintar o escapamento das 4T? Tentei diversas marcas, MAS sempre descascam rapidamente...

Desde já agradeço a sua atenção!

Abraço!
Diego Rosa disse…
Oi Alvaro, que legal, bom ter o aval de um engenheiro mecânico na reportagem. obrigado! Quanto ao escape, já fiz diversas experiencias, o que concluí até agora:

1) as tintas em spray (chamadas de 600 graus) não prestam.

2) pintura do escape deve ser super caprichada, não na quantidade de tinta, mas na preparação, limpeza, descontaminação da superfície - portanto, nada de pintar "na moto", empapelando tudo.. serviço porco, que acaba não durando. tem que desmontar, lixar, remover toda a tinta antiga, limpar com desengraxante etc etc.

3) quanto ao material pra usar, eu sempre usei "preto fosco vinílico" e o resultado é legal, dura um bom tempo. Nessa ultima moto que precisei pintar (não foram as curvas, foi da marmita pra trás apenas), pintei com Duco e ficou muito bom o resultado, mas não sei dizer o quanto vai durar. Então, que eu conheça: Duco ou Preto Fosco Vinílico...
Alvaro ME disse…
Poxa!

MUITO OBRIGADO, Diego!

Farei a pintura tanto das curvas de escape da Tornado, como da XT 600E e depois te conto o que aconteceu! (devo fazer isso em duas semanas, mais ou menos, pois tenho outros afazeres mais imediatos...).

Um grande abraço!