Comprei uma clássica! E agora?

Oi Pessoal, vocês se lembram do Carlos né?  Aquele da postagem da semana passada, quando falávamos da confiabilidade da moto antiga?

Então, e não é que o cara comprou a moto?  Vai andar de XLX250R, encontrou uma moto lindíssima e muito bem conservada!  Tá super feliz!

Mas ele voltou aqui num final de tarde, pra me mostrar a moto e sentamos pra bater um papo, ele, que estava acostumado a andar por ai em uma Yamaha Fazer 250 bem nova (tinha até ABS), fez uma viagem no tempo de 30 anos ao montar na "velha" XLX.

Tá cheio de duvidas, não assumiu assim de cara, mas durante a conversa demonstrou-se um pouco decepcionado com os freios e disse estar feliz que o inverno tenha ido embora, pois imaginou como seria dar partida nos dias frios... ainda assim encantado com a nova aquisição.

Comprei uma clássica, e agora? Como é a tocada dela? 



Enquanto caminhávamos pela garagem, entre outras motos antigas, ia explicando a ele que a tocada de uma moto antiga é completamente outra - e é justamente isso que achei legal compartilhar com todos aqui:

Mantenha Distância

Sempre, absolutamente sempre, você deve manter mais distância do veículo a frente do que manteria normalmente, as razoes são simples:

* Você não quer bater sua moto antiga, as peças são raras e as vezes caras (por vezes são consideradas obsoletas pelas concessionarias e vendidas a preços irrisórios também, mas sempre são difíceis de encontrar);

* Seus freios são, invariavelmente, piores do que qualquer freio moderno.  Claro que manutenção é tudo, e você vai ser cuidadoso, colocar pastilhas ou lonas de excelente qualidade, manter os cabos lubrificados, regulados e tudo mais. Mas um dos itens que podemos dizer de boca cheia que evoluíram muito nos últimos 30 anos são os freios - e especialmente na moto dele, ambos a tambor, são de eficiência um tanto quanto limitada.  Não tô falando do ABS não, tô falando de "stopping power" mesmo, comparado aos discos modernos.

Bem, agora que você já sabe, vai ter que manter distância e antecipar-se nas frenagens, vai outra dica:

Tocada Suave

A clássica é adequada a um passeio. Pode ser
usada no dia a dia, mas requer cuidados!
Bem, essa dica vale pra qualquer moto, antiga ou moderna, eu não gosto de forma alguma de maltratar a motoca, seja qual for.  Acelerações fortes, mudanças súbitas de direção, frenagens cavalares não estão no meu repertório, e não devem estar no seu também, pelo menos e principalmente enquanto estiver sobre uma moto antiga.

As vezes me perguntam como fazer pra economizar gasolina (no carro ou na moto), eu sempre digo:  usando menos o freio. Como assim? O freio?  Experimente! vai funcionar! e da mesma forma que economiza o combustível fóssil, economiza a moto como um todo.  Lembra que as peças são raras?  Além de raras, já tem certa idade, então, tocada suave garante sua longevidade. 

Calibragem e verificações

Em todo e qualquer manual do proprietário essas informações estão de forma bem clara, independente do fabricante:  

* verificar o nível do óleo com frequência (ai varia, mas normalmente semanal)
* verificar a pressão dos pneus
* verificar lampadas

Se não fez até agora, prepare-se.  Mas não se assuste, é coisa simples e você não tem a desculpa de não der tempo.  É sim, se esqueceu que ela precisa aquecer de manha cedo antes de sair?  Nesse tempinho, deixe a mão um calibrador de pneus, teste as setas, farol, lanterna, luzes de freio...e tá pronto pra ir pra rua.  Esse ritual de "reconhecer a moto antes de sair" é bem legal, e serve também pra avisar seu cérebro ainda sonolento naquela fria manha, que você vai subir em uma motocicleta!

Mas o que muda entre a antiga e a nova nesse quesito de inspeção, me perguntou  Carlos?

Basicamente, você deveria fazer essa verificação com as novas da mesma forma, mas, como são novas, acabamos deixando essa tarefa pro momento das revisões, nenhum grande pecado até aí.. lembra? As folgas de usinagem de uma moto moderna são muito menores, e com isso consumo de óleo também.  Pensa que as lampadas incandescentes ou Bi-iodo antigas foram substituídas por LEDs... e se não da pra falar que "led não queima", mas demora uma eternidade pra isso acontecer. E por fim, os pneus normalmente são sem câmara atualmente... 

A noite os gatos são pardos

Mais pardos ainda quando iluminados por uma vela.  Sim, é a sensação que temos quando as pilotamos durante a noite, a iluminação sempre precária...  As dos anos 1970 (e algumas dos 80) eram  incandescentes de 6V!  Depois evoluíram 12V mas ainda incandescentes... no meio dos anos 1980 popularizaram-se as lampadas "bi-iodo", com uma capacidade de iluminação muito superior, e atualmente os Leds tomaram conta!
Ufa! Um mundo de diferença nessas 4 gerações!  Sem falar que, na maioria das motos, o farol era ligado diretamente ao magneto, pra não sobrecarregar a bateria,  com isso a intensidade da iluminação variava de acordo com a rotação do motor da moto!  Uma farra, quando se está passeando, mas um pesadelo pra quem precisa enxergar durante uma viagem, a noite, com chuva.

São as limitações com as quais temos que conviver!  Nada estressante, pelo contrario, extremamente relaxante pra quem gosta!  

Comentários

Anônimo disse…
Também tenho uma antiga (Ténéré 1990) e acho que faltou um comentário: motos antigas devem ter um uso moderado, ou seja, nem abandoná-la na garagem pois vai deteriorar tudo, nem usar todo santo dia. Sei que isso pode parecer controverso mas atualmente esse é o meu sistema com a moto que tenho desde zero km.
Tabajara disse…
Parabéns pela aquisição irmão. Tenho minha CB 450 TR, e também ando 2, 3 vezes por semana, embora se precisar viajar, pé na estrada com ela. Não a deixe parada como bem disse nosso felizardo amigo da Tenere, estraga . Curta bastante.
Tabajara disse…
Comprei uma clássica, e agora? Agora é só curtir.