XTZ750 Super Ténéré - A moto que emocionou!

Diego Rosa e Marcelo Resende na cerimonia de entrega da XTZ em BH


Semana passada fui a BH na casa do amigo Marcelo Resende, buscar outra moto dele.
AHonda NX650 Dominator e a BMW R100GSPD do acervo de Motos Clássicas 80 já vieram daquela mesma garagem, mas cada motocicleta nos conta uma história, e a moto que busquei dessa vez foi especial demais...

História


Bem, pra começo de conversa, não era uma motocicleta qualquer, era uma multi campeã do Rally Paris Dakar em sua época africana.   A XTZ 750 Super Ténéré.   Moto repleta de historia, conquistas e dona de um desempenho de causar inveja as 750cc que tínhamos no Brasil naquela época - afinal de contas, sendo uma Big Trail, além de acelerar até 200km/h com seu propulsor de 2 cilindros e 5 válvulas por cilindro (conceito gênesis), era capaz de entrar na terra e fazer bonito, por seu aro 21 na dianteira e ciclística "dakariana".


Uma "Super" pra chamar de minha


Com os amigos (da esquerda pra direita): Marcão, André BT, Orlando, Eu
e o Velho Messias, em 1999 todos de Super Ténéré na Serra da Canastra -
grandes amizades, motivadas pela XTZ que permanecem até hoje.

Tive duas XTZ750 em sua época, uma 96 grená e uma 97 azul.  Relembrando: as Super Ténérés 750cc foram conhecidas por quase nenhuma alteração mecânica, mas a cada ano era lancada uma cor nova. A exemplo da Yamaha V-max e a Suzuki Hayabusa, motos que já nascem clássicas e não demandam uma atualização a cada ano.



Essa "Super" é uma 1991, das pouquíssimas que chegaram ao pais logo que a importação abriu.


Releitura



XTZ750 1991 - uma releitura da moto que competiu no Paris Dakar nas mãos de Peterhansel

O leitor apaixonado pelo modelo, deve ter percebido de cara que a moto não era vendida nessa pintura na época, essa unidade em especial é cheia de historia.

Moto de 1989 de Peterhansel, que inspirou essa releitura
A pintura que ela recebeu, é da moto de 1989 de Stephane Peterhansel, pintura fiel e muito bem feita, com adesivos importados - sim os europeus cultuam essas releituras. Mas, quem a preparou, um conhecido jornalista especializado em cobertura de competições off road de motocicletas pelo mundo, queria mais do que uma bela pintura, fez então o que chamamos de releitura, ou seja, uma atualização e adaptação da moto de rally para os dias de hoje, com equipamentos atuais e tecnologia disponível.  As atualizações mecânicas foram muitas, o que deixou a moto incrível, parecendo uma "especial" em sua tocada. Vou citar algumas, pra facilitar ao leitor entender que moto é essa:

- kit dynojet estagio 2 (quem não se lembra dos kits de carburação da dynojet?!)
- filtro de ar K&N
- Amortecedor Traseiro Hiper-pro com 52 regulagens
- Velas de iridium
- Coletor de escape "Motad" europeu
- Ponteira de escape "Arrow" Dakar Replica (que som instigante!)
- Raios de inox
- Aros Excel
- Disco de freio traseiro Brembo
- Mangueiras Aerokip
- Guidão pro taper com raizers
- Protetor de mão acerbis
- Molas da suspensão dianteira Wilbers - progressivas.
- Pneus Karoo 3

Nesta imagem é possível perceber os coletores Motad e a ponteira Arrow Dakar Replica.



A viagem


Passando por Tres Corações pra reverenciar outro mito


Muitas vezes, vou buscar motocicletas em lugares distantes, e prefiro ir de carro, puxando uma carretinha e voltar com ela embarcada.  Nunca se sabe como uma moto de quase 30 anos vai reagir na estrada, não é mesmo?  Mas com essa moto fiz questão absoluta de voltar rodando os 520 km que separam BH da sede do Motos Clássicas 80, e mais, convidei minha esposa pra ir comigo buscar - fomos de avião e voltamos juntos curtindo a moto.

Uma volta ao passado, ao meu passado, me lembrei instantaneamente das noites que ia pra São Paulo no Bar Iron Horse encontrar amigos, ou no Iron Horse de Campos do Jordão também... lembrei dos amigos que fiz sobre aquela motocicleta, das "preparações" que fazíamos com kit Dynojet (chamar aquilo de preparação perto do que tem nessa moto é sacrilégio), dos rachas nas avenidas da capital paulista. A rodovia Fernão Dias no trecho mineiro é repleta de boas curvas de alta, percebi o cavalete central (adaptado e com uma alavanca avantajada) raspando no chão e me fazendo voltar a atenção a pilotagem.



Ao lado da DR800S já na garagem do Motos Clássicas 80



Esbanjando saúde



Com praticamente 100.000 km rodados, ela esbanja saúde

A moto esbanja saúde, no alto de seus quase 100.000km completados, a XTZ se comporta como uma moto nova, que acabou de ser amaciada, ignorando o peso do piloto e garupa, retomando com valentia e atingindo nas longas retas as mesmas velocidades que víamos atingir naqueles tempos. Ela não passa vergonha.  Uma motocicleta atual, pronta pra viajar pra qualquer lugar, com um visual incrível e recheada de equipamentos.




Mas e o original?



Tornou-se um mantra nesse site, o enaltecimento ao original de fabrica.

Sabe aquela máxima, toda regra tem uma exceção?  Então, ta ai uma delas.

Essa moto, não é personalizada, é uma releitura.  Tem historia!  Tem razão pra aquilo tudo estar ali, daquela forma. Por onde passa torce pescoços...

Em minha humilde opinião, a Yamaha pecou em oferecer apenas as Ténérés 600 com pintura das equipes do Paris Dakar (a azul da equipe sonauto / gauloises e a vermelha inspirada na equipe Chesterfield) - as Super Ténérés sempre receberam lindas pinturas, mas nunca alguma em alusão as seguidas vitorias de Peterhansel. Foi essa a oportunidade de realizar esse desejo.



Comentários

  1. Ainda um sonho muito válido de motocicleta. Ela e as Cativas Elefant 750/900, máquinas de sonho.

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  2. Simplesmente perfeita, maravilhosa, tive a 1988 azul-Sonauto, muitas saudades...

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