Um sonho, uma RD 350LC, muiiita estrada, e Rock And Roll

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Nota da redação: relato que você lerá, foi publicado com a autorização do Osmar Bargas e se mantém fiel (com exceção da diagramação) à sua postagem na página pessoal do Facebook. 

Ano de 1987, realizando o meu projeto de vida…, trabalhar, criar meus filhos, educa-los, ser um bom marido…, e por que não? Realizar o meu sonho de conhecer toda a América do Sul, viajando de moto…, uma grande viagem por ano.

Nos anos anteriores, eu tinha realizado quatro grandes viagens – 01 de CG 125 de S. Paulo para Buenos Aires, e 03 de DT 180, uma para o Pantanal, outra por 5 países da América do Sul e a ultima de São Paulo para Roraima pela floresta Amazônica. Sempre precisando de patrocinadores, consegui divulgar essas viagens em vários jornais, programas de TV e na revista Duas Rodas (nº 103, nº 113 e nº 124), na época, líder do segmento motociclístico.

Nesse ano queria conhecer um pouco mais do Brasil, passando por todos os estados, de norte a sul, incluindo as suas capitais.

Sem grana pra variar…, e a economia do Brasil arrebentada, achei que não iria conseguir seguir com meus planos…, mas eu já tinha acumulado alguma experiência pra correr atrás de patrocinadores, e foi o que eu fiz.

A revista Duas Rodas havia realizado e publicado um teste comparativo entre as recém lançadas RD 350LC e a CBX 750F, e segundo a própria matéria a RD 350 demostrou bastante “falta de sorte”, e apresentou uma série de problemas (Duas Rodas nº 139).

Percebi que para a revista ficou a dúvida, e através da sua publicação compartilhou essa dúvida com milhares de leitores, os problemas erram daquela moto especifica ou de todas as RD? e ainda…, cá pra nós, imaginem pra Yamaha…, que péssima imagem para um projeto recém-lançado.

Neste panorama, ficou fácil pra conseguir o patrocínio da Yamaha para a viagem que eu queria, afinal a fabrica precisava provar e rápido que a moto era confiável, e consegui também o patrocínio da revista Duas Rodas pra fazer um teste de longa duração, uma oportunidade para tirar a duvida sobre a moto e mostrar a seus leitores.

No contrato, eram duas RD, uma minha e outra de um amigo, teríamos que anotar o consumo e os defeitos apresentados, e poderíamos pilotar da forma que desejássemos, afinal a moto era nossa e a ideia do teste era verificar como as motos se sairiam nas condições “normais” de uso. Depois da viagem a revista Duas Rodas poderia desmontar e montar as duas motos para avaliar possíveis desgastes e publicar…, sem dó!.

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Correndo atrás um pouco mais…, também consegui mais alguns patrocinadores: a concessionaria Yamaha SERVE VEICULOS, a rede de lojas CASA FERNANDES DE PNEUS, a loja de acessórios para moto e equipamento para motociclistas SUPER SPORT, o frigorifico SUZANO e a GERSON, empresa que equipou, pasmem! um toca fitas TKR (Quem é da época conhece bem) em uma das caixas de cada moto e fones de ouvidos no capacete, uma inovação na época…, poder pilotar uma moto ouvindo rock.

Fui buscar as motos na fabrica em caixas, depois de montadas na concessionaria, sai pra minha primeira volta, e fui direto pra estrada, acostumado com a DT 180, nunca tinha pilotado uma moto que passasse dos 130 km por hora, imaginem!

Estava muito tenso, os pulsos começaram doer, não estava com e medo, estava com “cagaço”…, e para piorar…, era só parar nos semáforos ao lado de um algum motociclista…, lá vinha o comentário indesejado, que dava ainda mais medo…“essa é a nova Viúva Negra?”

Na rodovia Anchieta (São Paulo – Litoral) fui parado por um policial rodoviário com uma Honda CB 400 ou 450(?), se encantou com a novidade (RD) ainda sem as placas, e para a minha surpresa, desafiou para um “racha” (Coisas idiotas que fazíamos nos anos 80), foi a minha primeira “acelerada”, uma verdadeira explosão!, alucinante! fiquei tão assustado e preocupado para o coração não sair pela boca que esqueci que ainda tinha a sexta marcha, o policial?, nunca mais vi.

Amante de moto trail, estradas de terra, arreião e barro…, o que eu ia fazer com aquele canhão, com suspensões para asfalto, e aquela posição de pilotagem em uma viagem pelo Brasil? Mas com essa oportunidade, quem não encarava pra realizar um sonho?

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Foram 16.664 km na minha e 15.537 na de meu amigo, 32.201 km no total, naquele tempo viajar pelo interior do Brasil era procurar perrengue, encontrava todo o tipo de estrada, com asfalto bom, péssimo e horrível…, e também estradas de terra com areia e com as chuvas constantes muitas poças d’agua.

Saindo de Santo André (SP) e após alguns dias na estrada e muitos km, eu já estava bem familiarizado com a moto, não sentia mais as dores do pulso devido a tensão dos primeiros km, e aquela impressão de que a posição de pilotagem não era boa, já não tinha sentido, eu “vestia a moto”, tenho 1 metro e 78, imagino que não seria a mesma coisa para um motociclista grande.

Nas boas estradas, a pilotagem podia ser mais “arrojada”, acelerações rápidas nas ultrapassagens, trabalho no cambio/motor nas reduzidas nas curvas e acelerações…, o verdadeiro prazer de tocar uma moto 2t, e todo esse empenho e diversão, não deixava lembrar das costas, se doía a bunda, se coçava o nariz, nada…, sem tédio, só diversão! O problema era que nesta condição de pilotagem prazerosa o consumo aumentava assustadoramente, mas em compensação nos caminhos ruins que tinha que ir a 50 e 60 km por hora, chegamos a marcas de consumos tão boas, que se eu relatar aqui causaria algum “mimimi”, coisas da atualidade, muitos amigos querendo questionar kkkkk, era boa a época da gasolina sem 26% ou mais de álcool.

Quando chegamos nas estradas de terra, a saudades da DT 180 apertou, sofremos e judiamos das motos, e muito! principalmente das suspensões, que claro, não eram apropriadas…, foi realmente um duro teste pra “nós”.

Teve posto de gasolina (Ainda bem que esqueci onde), que não consegui chegar à bomba devido um pequeno caminho de muito barro até o posto, parei onde consegui chegar, coloquei uma pedra no pezinho pra não afundar e fui pegar uma lata pra trazer o combustível na moto.

Devido a maus tratos nas estradas com muita água e areia, a minha moto teve um problema com o mecanismo do YPVS, a tampa permitiu a entrada de água com areia e provocou a quebra da engrenagem. Defeito resolvido depois de algum perrengue com a peça em uma concessionaria ainda durante a viagem.

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Para concluir todo o roteiro que idealizei, unindo todos os estados brasileiros, precisamos utilizar 03 grandes barcas de passageiros (Típicos da região da bacia amazônica). De Porto Velho (Rondônia) para Manaus (Amazonas), embarcamos as motos e viajamos de camarote, um “luxo” patrocinado pela loja de acessórios para altos SÃO PAULO de Porto Velho, e fomos pelo rio Madeira.

Depois de rodar muito pela região de Manaus e conhecer a Zona Franca, embarcamos em outra barca, com destino a Belém (Pará), mas desta vez dormindo ou tentando dormir nas redes instaladas na barca. Entre as duas barcas, foram 10 dias navegando, conhecemos muitas pequenas cidades ribeirinhas, vimos por do sol maravilhosos no rio Amazonas, nos divertimos com as pessoas que conhecemos durante a viagem, mas estava doido pra cair na estrada.

Finalmente em Belém a estrada…, era uma época que não tinha radares e eu também não tinha muito juízo, a certa altura eu já me achava piloto de moto esportiva, e saía de algumas curvas de baixa velocidade empinando.

Lembro que no Ceara erramos o caminho e rodamos 90 km por uma estrada recém-asfaltada, sem aquelas ondulações indesejáveis, encontradas na maioria das estradas, que provocavam uma “decolagem” da moto, quando em alta velocidade. Tivemos que voltar…, e me sentindo seguro porque na volta conhecia a pista cheguei bem perto dos 200 km por hora, mas por pouco tempo.

Fomos a todos os estados Brasileiros, do Rio Grande Do Sul à Rondônia, Amazonas, Rio Grande do Norte etc, e em todas as capitais, não lembro bem(?) em +ou- 30 dias.

Durante essa maravilhosa aventura pelo meu país, conheci muitos brasileiros, gente que sempre me acolheu muito bem, vi paisagens espetaculares, experimentei todas as comidas que vi, e foi muito bacana descobrir as diferenças culturais do nosso Brasil, hoje a gente pode ver tudo pela tv ou internet, mas na época era pura descobertas, muitas novidades…, e chegar com a RD ficava bem fácil fazer amigos…, que linda e inesquecível experiência!

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As motos, apesar de tudo que fizemos, se saíram muito bem, fiquei realmente impressionado. Ficou claro que ela exige um “piloto”…, alguém que saiba o que esta fazendo em cima dela.

É OU NÃO UMA “VIÚVA NEGRA”?

Equivocadamente ou não, na época ela era reconhecida por muitos como Viúva Negra (e ainda hoje), tendo em vista que é sucessora da “verdadeira”.

Depois da viagem tive a MINHA RESPOSTA…, e passados 33 anos, mesmo tendo pilotado motos muito mais rápidas do que a RD, posso recomendar…, se você que acredita ou não acredita nessa história…, for pilotar uma RD 350LC, realmente do jeito que ela gosta…, pilote imaginando que ela é!!!! uma “autentica Viúva Negra”, porque se você vacilar…

Números da Viagem (Minha moto/ preta).

Total: 16.664 km.

Combustível gasto (Sem álcool): 1.023 litros.

Defeitos apresentados na minha moto:

Soltou o cabo do velocímetro.

Quebrou a engrenagem do YPVS.

Travou a torneira de combustível.

Quebrou o suporte do retrovisor (Sem queda).

OBS: Espero que tenham curtido o meu relado, e por ter passado mais de 30 anos pode conter algum erro kkkk

Abraço a todos.

Osmar Bargas

leia mais publicações da RD 350LC clicando neste link


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2 thoughts on “Um sonho, uma RD 350LC, muiiita estrada, e Rock And Roll

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    Que maravilha de matéria. Eu tinha essa DRM, nem sei pra onde foi. Muito legal mesmo uma viagem dessa. Com a novidade RD 350LC, muito legal. Parabéns.

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    Top!
    Isso sim que é motociclismo raiz! 👏 👏
    Aquele policial deve estar até hoje te procurando! 😊

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