Honda XR 250 Tornado completa 20 anos.

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Reprodução de reportagem da revista Duas Rodas número 311, de agosto de 200, com foto de Mário Villaescusa

Já caminha para se tornar uma clássica

Em abril de 2001 a fábrica da Honda, em Manaus (AM), produziu três unidades da XR 250. No mês seguinte 25, em junho outra tímida remessa, apenas 40. A Primeira “grande fornada” saiu em julho com 1.250 que foram enviadas para as concessionárias em agosto daquele ano como ano/modelo 2001/2002. Sendo assim, resolvemos homenagear o modelo que completa duas décadas de nascimento. Você pode até dizer que ela é muito nova para estar em nosso site, mas, permita-me discordar: a valente Tornado é uma moto que marcou época e tem tudo para ser uma clássica. Motivos não faltam…

Naquele ano eu trabalhava como redator da Revista Duas Rodas e o lançamento da Tornado reverberou dentro da redação – principalmente nos apaixonados por aventuras (que é o meu caso). Assim que a Honda disponibilizou um exemplar, peguei para viajar.
Lembro perfeitamente daquela manhã fria de junho, era um domingo quando entre na Rodovia Anhanguera rumando para Águas de São Pedro, interior de São Paulo. Enquanto acelerava, a Tornado lutava contra o tempo que passava sem dó, eu tinha um compromisso muito sério com os irmãos Trivellato. Estava fazendo uma matéria sobre as clássicas nacionais e pilotaria a mítica Honda CB 400 Four. Fora isso, ainda assistiríamos ao Grande Prémio de Fórmula 1 – à época dominada pelo alemão Michael Schumacher que corria, junto com o Rubinho, na Equipe Ferrari.

Dois anos de desenvolvimento

Pena que a neblina densa não dava espaço e a visibilidade era de poucos metros, quem já rodou por aquelas bandas sabe que, quando a bruma desce, não adianta ter pressa. Fiz até uma foto para mostrar aos leitores da revista Duas Rodas – edição 311, de agosto daquele ano.
Aquela moto que eu pilotava era fruto de dois anos de desenvolvimento no Brasil – isso mesmo, uma moto demora dois anos para surgir nos planos e tornar-se realidade nas lojas. Nesse período o pessoal da área comercial da Honda detectou um espaço para um modelo on-off road. A velha XR 200 já estava cansada (lançada em agosto de 1993) e a Yamaha tinha na XT225 uma opção com mais conforto e potência.
Os amantes do off-road esfregaram as mãos quando a Tornado chegou. Ela trazia aros e balança de alumínio que diminua o peso da moto (131,6 kg). Mas o grande barato da Tornado era a possibilidade de fazer qualquer coisa com ela. O curso de suspensão dianteira (245 mm) e o vão livre do solo (32 cm) permitiam encarar todo tipo de caminho – prá ficar ainda melhor vinha de fábrica com protetor de motor e duas alturas do banco. Fórmula perfeita para agradar aos trilheiros e aventureiros.

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A Tornado 2007 do Edgard Cotait o levou até o Chile conhecer o Vulcão Licancabur, numa viagem de quase 10 mil km e cinco países “muito confiável”

Tatuagem de Tornado

Por falar em aventureiros, um dos mais respeitados do Brasil é o Edgard Cotait (um dos criadores da Comunidade VMAS), traz no antebraço a tatuagem da Tornado, isso mesmo! Na imagem está a sua Tornado vermelha (ano 2007) que o levou até os pés do Vulcão Lincancabur, no Chile. A viagem de Edgard vai contra os comentários feitos pela imprensa especializada que o banco da Tornado era duro e não permitia longas viagens. “Fui a Machu Picchu, saindo pelo Acre. Depois, Bolívia, Chile, Argentina e Paraguai, voltando por Foz do Iguaçu. Andamos 9.800kms” lembrou o aventureiro que fez a viagem em julho de 2007, naquela época a Interoceânica não existia e tudo era de terra.
Para encarar viagens assim a Tornado era equipada com motor de um cilindro, duplo comando e quatro válvulas. Com a potência máxima de 23,3 cv permite atingir a velocidade máxima de 135 km/h. No teste da revista Duas Rodas, edição 311, a moto acelerou de 0 a 100 em 7,9 segundos. Lembro como era gostoso rodar com a Tornado na casa dos 110 km/h para não esgoelar e manter o consumo na faixa dos 26 km/l. O tanque, com capacidade para 11,5 litros, oferecia autonomia de quase 300 km – mas tinha que cuidar para ficar na estrada…

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A cena da Tornado e o vulcão tatuada no antebraço do aventureiro mostra a paixão pelo modelo

A volta dos motores de 250 cc

Aos poucos a Tornado, que custava R$ 7.190, foi ganhando o gosto do brasileiro. Seu preço era mais barato que a Falcon (R$ 8.569) e mais caro que a XT 225 (R$ 6.899) esse posicionamento de preço acelerou as vendas.
Outro detalhe é que a Tornado trouxe de volta os motores de 250 cc (ou quarto de litro) para a linha on-off (tínhamos as custons importadas Suzuki Intruder 250 e Yamaha Virago 250). Essa motorização ganhou admiradores por conta da linha XL 250 que ficaram órfãos do modelo que deixou de ser produzido em 1994, depois vieram a Tornado 250 e a finalmente a Yamaha Lander (2006). Aliás, essa chegada dos motores de 250 cc, na linha trail, foi tema do programa Auto Esporte com a participação do Diego Rosa e a sua XL 250R, do acervo Motos Classicas80. Veja abaixo em nosso canal.

A tornado foi produzida para o mercado interno entre 2001 e 2011. Nesses dez anos a venda total superou 220 mil unidades e o recorde aconteceu em 2008 com mais de 40 mil comercializadas. Se você gosta de números, veja a tabela com o gráfico total. Ah, e a história da Tornado continuou em outros países para onde era exportada – mas isso fica para outro artigo.

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Tornado exposta no CETH da Honda em Indaiatuba, versão exportada para diversos países como Argentina e Peru

Feroz no off road

Eu falo com convicção que a Tornado é uma daquelas motos que deixam saudades. Não faltam comunidades de amantes do modelo que, mesmo antes da Internet, já se reuniam para cultuar essa Honda.
Tudo bem que não eram apenas elogios na época do lançamento, muita gente reclamava do banco, mas o freio a tambor na traseira não combinava com o projeto tão arrojado que trazia painel digital com três hodômetros – muito útil em provas de enduro. Mas faltava marcador de combustível.
Outro amigo, Fernando Amaral, também usou bastante a Tornado nas provas off-road (entre elas o famoso Enduro das Montanhas) e também nas trilhas, onde a considerava uma “ótima moto”. Para conseguir melhor desempenho buscou aliviar o peso com peças mais leves (de alumínio) e tirando painel, pedaleira do garupa, para lama traseiro etc…

XR 250 Tornado 1
Fernando Amaral e sua Tornado, com ela participou em diversas provas e fez muitas trilhas

Honda Tornado, mecânica confiável

Na parte mecânica alterou a relação e o mais importante, segundo ele, trocou a suspensão. “Fiz à base de troca com o Sandro Hoffman, bons tempos” lembra Fernando… Mesmo sem grande velocidade final, o que era ruim em algumas provas, a moto o atendeu sempre com muita confiabilidade e manutenção barata.
Viu só? Apesar de estar completando apenas 20 anos de lançamento, a Tornado tem tudo para virar uma clássica em pouco tempo. Qualidade e resistência não faltavam ao modelo que também tinha muito carisma e hoje ainda parece ter uma legião de fãs. Você é um deles? Escreva nos comentários…

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18 thoughts on “Honda XR 250 Tornado completa 20 anos.

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    Tive uma Tornado, ano 2005 azul… ótima moto. Freio traseiro a tambor, banco duro, farol ruim e corrente de comando que folgava precocemente, mas no resto gostei muito da moto, compraria novamente… a Honda deveria partir dela, resolver os problemas acima citados e finalmente fazer a Honda 250 dos sonhos dos consumidores, os últimos a serem ouvidos… fato comum nas montadoras japonesas. Esse mesmo motor com injeção seria ainda mais economico e duravel, e evitaria o mico que a empresa pagou com o motor 300 da XRE e suas famosas trincas no cabeçote… queremos a Tornado de volta!

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      Sou apaixonado pela Tornado desde criança. Quando vi uma pela primeira vez foi em 2007. Eu tinha 13 anos, e um amigo da família tinha uma preta 2007 zerada. Nossa foi amor a primeira vista pela moto. Desde então lutei pra ter uma, e em 2009 meu país comprou uma 2004 toda linda. Posteriormente comprei a minha primeira tornado ano 2007 preta. Hoje tenho uma XRE 300 2019. Mas meu sonho é ter novamente essa moto que tanto me fascina, e que até hoje quando vejo uma passar me faz lembrar da minha infância.

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        Tenho uma tornado 2001! Só alegria! Fiz muitas trilhas e rodo com ela até hj. Se ela voltasse ao mercado, com certeza compraria outra!

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      Adquiri a minha primeira moto, uma Tornado 08/08 Preta, como queria, após 3 meses de busca, em novembro de 2020.
      Por conselho esse modelo, a fim de, de aprender a dirigir, antes de pegar a BigTrail, mas com 5 meses de uso e 6.000km rodados, não me vejo mais sem ela. A BigTrail, quando vier não será se desfazendo da Tornado, muito versátil, manutenção simples e muito em conta. Um baita trator.

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        Toda linha Honda 250 sempre fará sucesso

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          Em 2010 comprei uma amarela ano 2007 . Ela estava apenas com 1200km na época. Fiquei pouco tempo com ela, mas rendeu muitos estradões, trilhas e uma viagem até a serra do rio do rastro. Só tenho boas lembranças e desejo ter outra no futuro.

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      Ficamos órfãos de um modelo como esse. Lembro-me de ter visto pela primeira vez, de perto, a XRE, no mês de lançamento, e ali tive a certa que a montadora fez a coisa errada, naquele modo “certo” das montadoras. Não consigo ver a sua volta, sobretudo com o atual público consumidor de moto Frankstein.

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    Moto feroz, muito legal. Andei pouco nela, mas muito bacana para o dia a dia de trabalho, nos grandes centros.

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    Minha primeira moto foi uma Tornado 2005. Foi minha parceira nas idas e vindas da faculdade e nos passeios de final de semana. Ela foi roubada e eu comprei outra, dessa vez uma 2008. Era um espetáculo, ia para qualquer lugar.
    Hoje eu estou procurando uma para comprar, mas é difícil encontrar alguma em boas condições. Quando encontra, é tão cara quanto uma Lander 2015…

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    A Honda deveria fazer uma nova tornado com o motor da nova cb twister no lugar da cansada e problemática xre 300, ficaria perfeito cb twister nova tornado e nova CRF 250F que já existe

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    Minha primeira tornado foi uma branca modelo 01/02,depois troquei por uma 05 preta e hj tenho uma 08 laranja com apenas 27.000km,a moto está 85% original.
    Ótima moto,moro em sítio e ela me atende muito bem, não tenho do que reclamar.
    A única coisa que me deixa chateado é que aqui em São Roque-sp é muito difícil encontrar peças originais e quando se consegue na concessionária é o olho da cara.
    Preciso substituir uma carenagem pq está riscada,mais não acho,só paralela.
    Gostei muito da matéria!

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    Já tive duas más prá trilha é um trator confiável de maís

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    Bom dia pessoal! Comecei com a xl 250 depois Tive uma xr 200 troquei por uma Tornado 2002,rodei 65000 km, depois troquei por uma 2007 e tenho até hoje. Já passou dos 100.000 km. Mesmo tendo uma Vstrom dl 1000 ano 2005. Ainda faço viagens de tornado. Só quem tem ou teve sabe da qualidade desta motoca. É minha segunda roupa. Nunca fiquei na mão.

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    Eu tenho uma dessa safra inicial, cor azul 2001/2002, hoje 27/05/2021 ela esta com 99.500km no painel, daqui a pouco ela esta zero km de novo kkk

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      Sou apaixonado por tornado tive uma 2002 coloquei pra andar no motocross fiu muito feliz com ela ganhei várias corridas agora estou com uma 2007 preta com 26 mil km está eu não vendo mais agora está e só pra passear nos finais de semana

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    Acho a tornado muito linda, moto simples e forte, e a dirabilidade de motor nem se fala em relação a xre. Essa a honda jogou a receita fora como o primeiro modelo da titan 150.

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    Tenho um exeplar 2007 vermelho, não tenho do que reclamar: uso diariamente ida e volta do trabalho e passeio;mecânica confiável, manutenção barata,entre outras qualidades,tem gente que reclama do farol,freio traseiro e banco mas esquecem,que é um projeto ano 2001.” Meu cavalo de Tróia XR Tornado pau pra toda obra”

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    Tenho uma Tornado 2007 preta. Minha primeira moto, Já comprei ela bem equipada. Paralama da Lander X com protetor de garfo, escape fortuna minitrioval, Guidão Oxxy dourado, farol de led. Uma baita moto, não quero me desfazer dela nunca.

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