Honda NX 350 Sahara Capitão América – jogo dos 7 erros

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Ao bater o olho em uma moto antiga, a maioria dos colecionadores já sabe se deve ou não se aproximar dela. Restaurações mal feitas, peças trocadas por de outros modelos, acabamentos diferentes em metais, pinturas em cores que não combinam com a original, adesivos colados em posições erradas – tudo isso salta rapidamente aos olhos de quem conhece o modelo.

Não é frescura, mas são vestígios de uma restauração ou reforma anterior, por mais que o proprietário jure ser ela 100% original, virgem e imaculada. Da mesma forma que um motor aberto anteriormente dá seus sinais (parafusos com marca de chave ou trocados, juntas substituídas saindo entre as tampas, algum indicio de cola-junta… Quanto mais exercitarmos esse olhar cuidadoso, maior sucesso teremos em nossas próximas aquisições.

Ainda assim, mesmo os mais experientes se enganam, em erros grosseiros, e é justamente essa história que vamos contar aqui hoje.

revista duas rodas lançamento NX350 Sahara
A resposta estava nesta revista –
mas pela foto da capa não era possível descobrir

Uma Sahara de respeito

Quando um anuncio diz: “moto de colecionador”, “raridade” etc, desconfie. 90% deles trazem motos reformadas no quintal de casa, sem o menor critério, e o anunciante acha que, por ser antiga vale muito dinheiro. “Só que não”.

Em abril deste ano, recebi de um seguidor, um anúncio eletrônico de uma NX350 Sahara, na cor “Capitão América”, a mais desejada delas, e o anúncio trazia a informação que ela nunca havia sido lacrada. Mas o preço era muito elevado, agradeci e descartei a oferta.

Três meses depois, navegando entre anúncios, acabei encontrando aquela moto novamente. O preço já havia sido reduzido, ainda alto, mas pouco mais próximo da realidade: resolvi mandar uma mensagem.

Não confie na memoria apenas

Ao receber fotos da moto, e analisar cuidadosamente, notei que a ponteira do escapamento era preta, e na hora lembrei que as ponteiras das Saharas recebiam um bonito acabamento de alumínio escovado, e aquela moto não tinha isso. Num primeiro momento achei ser uma ponteira de XLX montada ali, pois em uma das fotos da ponteira era possível ver a inscrição Honda da Amazônia.

Já um pouco decepcionado, ao ver que a “raridade” anunciada não era tão legal assim, mas segui olhando atentamente cada uma das fotos, e fui gostando de tudo que eu via.

Encasquetado com a ponteira preta, resolvi revirar a pilha de revistas antigas e foi nelas que resolvi o enigma. Mais tarde, baixei o catalogo de peças da NX 350 Sahara e confirmei, como vocês poderão ver mais abaixo.

Pedi ajuda aos universitários

No começo da semana, resolvi colocar uma foto dela no Instagram e Facebook do Motos Clássicas 80, perguntando o que havia de errado naquela foto, e de fato havia um detalhe errado, mas não era a ponteira do escapamento. Foi muito legal, pois muitos de nossos seguidores se dispuseram a responder, contribuindo pro grupo como um todo.

Muitos apostaram na ponteira preta, alguns citaram a capa do banco não ter a inscrição Honda, outros falaram sobre a seta dianteira, os espelhos retrovisores, enquanto alguns seguidores apostaram que a posição dos adesivos estava errada. Citaram também o fato do quadro ser branco e o suporte de pedaleiras ser de outra cor, escura. Alguns desavisados sugeriram estar a moto rebaixada, mas na realidade ela estava presa na carreta de transporte, por extensores.

A raridade ficou mais rara ainda

Ao consultar o catálogo de peças e as revistas antigas, percebi que a raridade ficou mais rara ainda, descobri que, no primeiro ano de produção, as 6617 unidades produzidas em Manaus (AM) saíram com a ponteira do escapamento preto.

Ao total, nos 10 anos de produção, foram feitas 43.630 unidades dessa motocicleta, então, apenas cerca de 15% delas saíram com tal característica – que sem dúvida, nos induz ao erro.

As duas “Capitão América”

Ah e tem mais uma pegadinha ai no jogo de cores, gráficos e nomenclatura das Sahara… A tão famosa Capitão América, aquela que usa as cores da bandeira norte americana (por coincidência, pois na realidade são as cores de competição da Honda HRC) – na verdade são duas. O primeiro modelo lançado (vendas começaram em 1990 mas já como modelo 1991) e o modelo 1992, ambos tem as cores da HRC e grafismos parecidos inclusive. Sem falar que a 91 tem a ponteira preta e a 92 tem a ponteira escovada. Putz confusão, confere aí.

NX 350 Sahara capitão américa
Nessa foto, Diego Rosa e o vendedor, Tiago Pavanelli. Esse é o modelo 1991, a primeira Capitão América.
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Nessas foto, a moto que está no Museu da Honda em Indaiatuba, uma 1992, também “Capitão América”. Note que o grafismo é bem diferente, e a ponteira é escovada!

Neste endereço você pode baixar fotos como essa acima e também de todos os modelos da Honda disponíveis no museu de Indaiatuba, SP

Afinal, o jogo dos 7 erros

O que havia de errado então na foto postada nas redes sociais, se não era a capa do banco, nem a ponteira. Na realidade os espelhos estão errados, quase imperceptível, mas estão. Vários seguidores acertaram – parabéns! Super observadores. Mas não fique triste, a foto foi colocada de tal forma a induzir o erro, pois outras partes chamaram mais atenção. Quanto a ponteira, legal observá-la de perto, notar as inscrições da Honda da Amazônia e notar na outra foto a diferença dessa ponteira pra da XLX350R também.

Abaixo mais algumas fotos da raridade encontrada e algumas fotos de revista de época, para que possamos juntos treinar nossa visão para os detalhes, adesivos, posições, setas, espelhos, cores etc.

A nossa Sahara Capitão América

A Sahara Capitão América postada nas revistas em 1990

Bora ajustar os detalhes

Com muito cuidado e bom senso, cada detalhe dela será revisto. Apesar dessa moto nunca ter sido lacrada (está sendo agora), ela passou seus últimos 30 anos em uma fazenda. Está bem encardida, precisa de um caprichado banho. Além disso, algumas peças ressecaram pelo sol, alguns adesivos descascaram por terem sido lavados de forma descuidada usando lavadora de pressão, e outras peças merecem um grande polimento.

Ela marca no hodometro 3.700km rodados, o que condiz com o estado do pneu, ainda de fábrica, e todos demais sinais de uso da moto. Os espelhos, obviamente, já estão sendo trocados também.

E aí uma caprichada revisão

Como de costume, ao receber uma nova motocicleta, todos os itens são checados e muitos substituídos, rolamentos, filtros, fluidos (todos), como você já deve ter lido na matéria “A clássica chegou, e agora?”. Então ela estará pronta pra rodar por ai com segurança e, com a devida manutenção, apta a durar mais 30 anos pelo menos.

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3 thoughts on “Honda NX 350 Sahara Capitão América – jogo dos 7 erros

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    Boa tarde!! Gosto dos artigos de sua página. Tenho um modelo 99/99 original com pouco mais de 8.000km. Se quiser dar uma olhada um dia podemos marcar. Embora tem alguns acessórios que não interferem na originalidade.

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      muito legal, a primeira e a ultima lado a lado. ta em que cidade? abraço

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    Posso dizer outro detalhe que está errado nessa capitao america, o banco nao está encaixado na parte da frente, embaixo do banco tem um encaixe que prende no quadro perto do parafuso do tanque

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