A inesquecível viagem de Vespa

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Caio e Jéssica, fissurados em motores 2T encararam vários desafios para chegar até Ushuaia com a Vespa Elestart mais velha que eles

Escrevi essa aventura para a Revista Duas Rodas em setembro de 2019. Acho o relato tão empolgante, assim como a Vespa usada pelo casal, portanto desfrute da viagem e sinta o cheiro do óleo 2T…


Pouca gente conhece e, entre os mais jovens, poucos pilotaram uma moto com motor dois tempos, também chamados 2T. Eles são barulhentos, fumacentos e até pouco confiáveis. Porém, são apaixonantes pela forma como transformam a explosão dentro da câmara de combustão em potência e adrenalina. Essa característica fez o barbeiro Caio Sérgio dos Santos, de 25 anos, ser fissurado por essas máquinas. “Desde os dez anos, sempre que ouvia uma moto 2T passando corria na rua para ver, principalmente a Yamaha RD 135” lembra Caio.
Por conta dessa paixão, junto com sua esposa Jéssica Sodré, de 23 anos, deixou São José, em Santa Catarina, e partiu para uma longa – e maluca aventura – foi de Vespa até Ushuaia.
Segundo Caio “as histórias das dificuldades para chegar até lá e a chance conhecer as paisagens nos motivaram”. Se você acha que o Caio foi “maluco” ao enfrentar o frio, os ventos e as estradas sem asfalto no sul da América com as pequenas rodas de 10 polegadas da Vespa, o que dizer da sua esposa que topou ir de garupa? Jéssica já é uma veterana na garupa de motos 2T. O casal já foi de Yamaha RD 135 de Santa Catarina até a Bahia – cruzando Minas Gerais.

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A velha senhora

Alheio às dificuldades e desafios do trajeto o casal começou a viagem no dia 30 de dezembro de 2018. Pela frente tinham o percurso de 11.000 km e um mês longe do conforto de casa. Foram dias de grandes desafios, tristezas e muitas alegrias.
A viagem desafiava a lógica e os pensamentos mais racionais. O veículo escolhido, uma Vespa modelo PX Elestart ano 1990, é mais velha do que o piloto e sua garupa. A princípio a moto usada seria uma Yamaha DT 180, porém seriam necessárias tantas alterações para o transporte de bagagens que eles escolheram a Vespa. “Bastava levantar o banco para prender os alforjes, no vão central ainda levava o galão de gasolina” lembra o aventureiro. Eles optaram por acampar no trajeto e um dos arrependimentos foi não levar um cobertor pesado, apesar da Vespa já estar carregada “passamos muito frio nos acampamentos”.
Rumando para o Sul passaram sem problemas na fronteira com a Argentina. Mas é claro que a Vespa chamava atenção. As pessoas pediam para bater um foto, queriam saber se era uma viagem de férias. Quanto mais desciam para o sul a curiosidade sobre os intrépidos viajantes aumentava. Afinal a visão de um casal, montado naquela Vespa antiga repleta de bagagem devia ser bem curiosa. Apesar do peso, a habilidade na condução da Vespa livrou a dupla dos tombos. Quase caímos algumas vezes “mais o piloto aqui é bom de braço”.
Caio lembra que esses motores têm características peculiares. Segundo ele, o piloto tem que estar sempre em sintonia com a moto, não é pra qual quer um, “é só você procurar por aí pessoas que viajam com motos 2T e verá que são poucas. Além de raras essas máquinas já são ultrapassadas. Por isso, conseguir completar uma viagem com uma moto que a maioria não teria coragem de ir, isso é mais desafiador”. Mas não seria uma tarefa simples…

Graças a esta sintonia foi possível vencer longas etapas. Em uma delas, rodam mais de 700 quilômetros em um dia. Caio lembra que eles saíram as quatro da madrugada e rodaram até oito da noite. O vento forte impedia que a Vespa rendesse “estávamos quase saindo da Patagônia, queríamos por tudo sair logo daquela região com muito vento, a Vespa mal passava dos 70 km/h. Para garupa e piloto o maior problema é a monotonia, estávamos muito devagar parece que o tempo não passa, ainda mais tendo que abastecer a cada 100 km rodados”.
Caio e Jéssica foram obrigados a rodar de noite e de madrugada para fugir das fortes ventanias (mais comuns no período da tarde). Mas o farol deixava a desejar, tinha que ficar atento o tempo todo, principalmente com os animais que atravessavam a pista.

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O peso da idade

Apesar de valente, a idade pesou para a Vespa. Depois de ter rodado 5.000 quilômetros e já pertinho de Ushuaia, o motor não resistiu: os anéis do pistão quebraram. “foi culpa minha que não abri para revisar antes da viagem” sentenciou o aventureiro.
Em meio ao amargo gosto da derrota – afinal seria um problema praticamente impossível de resolver naquela região isolada – foi a vez de encontrar a solidariedade. Graças ao apoio de amigos virtuais ficaram por cinco dias na cidade de Rio Grande, na Argentina, lá fizeram a retifica no cilindro e trocaram os anéis, as peças vieram de Buenos Aires.
Esse foi o pior trecho da viagem, pois eles quase desistiram. “Já não tínhamos quase nada de dinheiro, pois nosso orçamento foi bem fora da realidade, ainda mais depois que a moto quebrou”. Aí uns amigos da página do Facebook Viagem de RD 135 fizeram uma vaquinha virtual e arrecadaram R$ 2.000. Junto com isso o casal ainda usou um dinheiro que estava guardado para algumas contas e concluíram a viagem.
Apesar das dificuldades, na opinião de Caio, a parte mais legal de uma aventura está nos “perrengues”. Sem eles as histórias não teriam tanta graça. Além do que, graças a eles, surgem os amigos que você faz no caminho, sejam eles pessoas ou cachorros.
Chegar a Ushuaia proporcionou ao casal conhecer paisagens incríveis como a Laguna Esmeralda. Depois de subir a montanha, aquela visão é inesquecível, ela faz tudo valer a pena. Além das paisagens, Caio e Jéssica curtiram a sensação da vitória. “Missão cumprida, com a ajuda de várias pessoas, não importa onde você está, nunca estará sozinho” lembra Caio.
Eles planejaram conhecer toda a Carretera Austral, mas infelizmente não tinham dinheiro para percorrer a estrada e voltaram para o Brasil, sem problemas no trajeto. “Mas ainda vamos voltar lá, vamos rodar muito mais a América Latina” afirma o aventureiro. Perguntado se a próxima viagem seria com uma moto 2T, a resposta estava na ponta da língua: “claro, uma Yamaha DT 180”

Agradecimento

Lucca Customs, MCA Alforjes Custom e 2 Tempos Trip. Para saber mais sobre a viagem e o mundo de quem curte motos dois tempos o Instagran @2tempostrip


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13 thoughts on “A inesquecível viagem de Vespa

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    Realmente é um desafio tocar uma Vespa 2T até Ushuaia… e, como disseram, motor 2T vai muto da sintonia com o condutor, a sensibilidade de ajustar o giro à confiabilidade, segurar a vontade de acelerar… pena que não foram trocados os anéis antes da viagem, teria poupado tempo e sem dúvida o motor teria aguentado a viagem… vamos ver a próxima de DT 180!

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    Eu fico admirado com a iniciativa de pessoas como este casal. Fico me imaginando fazendo viagens semelhantes a esta. Com fé em Deus ainda farei muitas! Só não faria com motocicleta de motor 2 tempos pois na minha opinião a segurança Fica um pouco comprometida. Mas, parabéns ao casal!

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    Parabéns ao casal. Mas voltar de dt180? Prepara bem o bolso pq antigamente quando tinha uma dessas 2 tempos, gastava 5 reais de gasolina e mais 5 reais de óleo 2 tempos só p/ ir e voltar do trabalho. Vai sentir saudades da vespa no primeiro posto.

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      Eu e minha esposa fomos de Agrale 27,5 de Niterói, RJ, até Canoinhas, no interior de Santa Catarina. 3 dias pra ir e 3 pra voltar! Embora o tanque tivesse 18 litros, reabastecíamos a cento e poucos km, porque ela fazia 16 km/l e nós não sabíamos onde haveria outro posto. Valente era a Elefant!

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    Na década de setenta um amigo tinha uma Vespa Piagio 150c e usávamos ela exclusivamente na estrada de chão pra ir pescar, mas foram tantos
    perrengues e defeitos que ela apresentava que por fim concluímos que era um veículo para andar só na cidade. Vespas não suportam giro alto no clima quente, a refrigeração delas é precária. Cruz credo.

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    Minha esposa sempre foi apaixonada ppr motos e eu sempre na garupa.

    Recentemente fizemos uma viagem saindo de Mogi das Cruzes rumo a Penedo, Teresópolis e Petrópolis com uma Nmax 160.

    No início fiquei receoso se iriamos aguentar, principalmente porque estavamos acompanhando um casal de amigis com uma 700 da Honda.
    Mas curtimos muito essa viagem e descobri que o que importa é a adrenalina e a companhia.

    Fizemos outras pequenas proezas juntos e sempre estamos planejando novas.

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    Parabéns pela aventura. Mas hoje em dia é melhor um motor 4 tempos, uma PCX ou Nmax, são boas opções. São mais econômicos, tem espaços pra bagagem e mais confiáveis kkk

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    Indico uma Ténéré 250cc, para uma viagem assim, econômica e motor duradouro.

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    Sigam no YouTube o casal do Dois tempos trip para os amantes das dois tempos vale apena assistir.

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    Também já fiz este trajeto de moto. Tenho como objetivo fazer a carreteira austral mas não o fiz. Parabéns para o casal aventureiro.

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    Me emocionei ao ler o resumresumo de sua aventura pois curto e ando de moto desde 12 anos. Hoje estou com 47 ainda ando na motoka porém o sonho de uma grande aventura tipo a sua ainda não se realizou.
    PARABÉNS a vcs 2 pela disposição e por compartilhar suas aventuras!!!
    Obrigado e boas estradas !

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    Parabéns ! Muitíssima coragem pra fazer essa aventura mesmo. Mas, isso é motociclista raiz. E esses exemplos devem ser muito compartilhados, pois hoje a juventude está fútil e só quer saber de colocar a vida em risco correndo em motos. O verdadeiro prazer em pilotar está justamente em apreciar a paisagem e curtir a liberdade que ela proporciona. E isso não é sentido quando se está em alta velocidade e obrigado a ter sua atenção o tempo inteiro voltada pra pista.

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    Olá, como gosto mecânica, nessas viagens porque não relatam os inúmeros intempéries do veículo, pneu gasto defeitos tombos, para aprimorarmos para eventual viagem

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