O templo, o monge e a Honda CBX 750F

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Nicolau e a sua Honda CBX 750F, ano 1986: longe das mídias sociais

O pessoal que acompanha as postagens do Motos Clássicas 80 sabe que valorizamos motos e também amizades que surgem por conta da paixão por esses veículos. Hoje vou falar sobre amigos, motos e ansiedade. Esse é o resumo dos capítulo “O Sonho de Paixão” que é terceiro capítulo web série que comemora os 50 anos da Honda no Brasil.
Antes de falar dos capítulos atuais, vale lembrar que, nos capítulos 1 e 2, foi mostrado o desafio da instalação da fábrica em Manaus (AM) e a incrível viagem de Honda CG 1976 entre Manaus e São Paulo (SP) publicada pela Revista Duas Rodas. No segundo capítulo a Honda faz uma justa e amável homenagem ao jornalista, aventureiro e amigo Josias Silveira, falecido à época da produção desse documentário – veja aqui.


Gente que faz


Fiz parte da equipe de produção como Story Production , junto com a cineasta Rachel Vianna. Uma das minhas funções era encontrar e manter contato com os personagens certos para nos contar sua histórias e mostrar a importância da motocicleta no coração e no cotidiano dos brasileiros. Como o capítulo 3 foi dedicado ao modelo Honda CBX 750F que chegou ao Brasil em 1986 – a “BLACK” – meu desafio era localizar alguém que tivesse uma desde “Zero KM”, estivesse original e topasse rodar com a moto para a captação de imagens em movimento.
Na busca do personagem conversei com proprietários, alguns declinaram do convite, talvez desconfiados. Outros tinham a moto guardada no fundo do barracão “tá cheia de pó, os carburadores estão entupidos” sem condições de rodar… Com o prazo ficando cada vez mais curto a minha “chefe” Rachell cobrava um personagem à altura da Honda CBX 750F.


Nicolau, o analógico

Graças a uma postagem do Diego Rosa no Instagram @MotosClássicas80, recebemos a indicação do mecânico Nicolau Dias, de Sorocaba (SP). Um dos caras mais gentis e simpáticos que encontramos durante a gravação da web série. Nicolau não está nas redes sociais ou nos grupos de WhatsApp, para dizer a verdade ele é totalmente analógico, não usa celular ou smartphone… Se quiser falar com ele tem que ligar na oficina, através do telefone fixo no horário comercial. Está no mesmo endereço há décadas e mantém uma rotina criteriosa, como é criterioso o seu trabalho e cuidado com as motos.
Sem mais delongas ele topou de imediato fazer o vídeo. No dia marcado, era um sábado ensolarado, chegamos bem cedo ao seu enorme galpão – onde funcionava a antiga empresa da família. Confesso que fiquei emocionado ao ver suas relíquias tão bem cuidadas. Entre elas uma BMW R90S e um Puma GTB que estão com o Nicolau desde zero – “a moto era do meu pai e andamos juntos”.

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Romildo e Nicolau, amizade forjada em duas rodas e quatro cilindros

Além da Honda CBX 750F no Nicolau, estava lá também uma CB 750F, ano 1988, do amigo Romildo Leme. Eles falaram da paixão pelas motos e como era especial rodar com elas naquele tempo. A paixão pelas motos se tornou atividade comercial, Nicolau trabalha sozinho nas motos dos clientes e amigos.
Além das motos, alguns detalhes ressaltam quanto a Honda CBX 750F é importante para o Nicolau. O emblema CBX bordado nas costas e a fivela do cinto com a Asa Vermelha mostram que lá não é uma simples oficina, é um templo! Nicolau lembra um monge que, com paciência e dedicação, conserva as motos e mostra aos discípulos e seguidores o que é paixão e cuidado com essas clássicas tão especiais. Clique aqui para curtir o terceiro capítulo.

Nicolau, muito obrigado!!!


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3 thoughts on “O templo, o monge e a Honda CBX 750F

    • Conheci Nicolau desde pequeno, onde iniciei meu gosto por motocicleta, fizemos parte de um grupo “maluco” de roles aos sábados … gente fina …

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  • Legal demais a matéria Cícero. Você conseguiu transmitir de forma sucinta e com exatidão o sentimento que se tem ao visitar este lugar.
    Templo, Monge e Analógico. Parabéns.

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