Com cola não cola

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Onde vai cola não vai junta e, onde vai junta, não vai cola.

Renato Gaeta – Escola Mecking (anos 1980)

Purismo e preciosismo dos colecionadores são criticados frequentemente.

Qual a razão de pagar-se uma pequena fortuna em uma lente de pisca original, se o mercado paralelo oferece uma quase idêntica e faz o “mesmo serviço” por uma fração do valor? Essa é uma questão recorrente quando se fala em restauração ou, até mesmo, manutenção de motos clássicas.

A peça que importa

Alguns que procuram a peça mais original possível – pesquisam, importam de outros países, e não se importam com o preço, afinal de contas o objetivo é deixá-la o mais “gabaritada” o possível – são criticados. Levam a cupa por inflacionar o mercado de peças, por pagar preços elevados em componentes e tais críticos sentenciam: o valor investido não será recuperado!

Restauração vs reforma

De fato na maioria das vezes não recuperam, e é justamente isso que diferencia um projeto de restauração minucioso de uma reforma feita no fundo do quintal Com todo respeito aos quintais, alguns inclusive melhores do que muitas oficinas…

Tudo depende do valor

Tudo depende do valor da moto em questão. Se estamos falando de uma CBX1050, aquela 6 cilindros da Honda que vem atingindo valores acima dos R$ 200.000,00, aí a lente do pisca custar 300 ou 400 reais não faz diferença, e é melhor valorizar a moto com uma lente original. Já naquela CG125 1982, que não é a “laranja 76”, uma moto que raramente vai atingir cifras elevadas, não me parece razoável investir em peças tão legais e caras assim. Mas isso vai de colecionador para colecionador, uns preferem ter menos motos e mais caprichadas e outros maior quantidade em menor qualidade, não que as duas coisas não possam conviver.

Mas e a cola?

O leitor que acompanhou meu raciocínio até aqui e não entendeu o que a cola tem a ver com a história. Uma das últimas motos que adquirimos pra coleção foi uma Kawasaki ZX-12R e, como de costume ao chegar foi internada para uma revisão completíssima. Nessa revisão seguimos todas as tabelas de fábrica para que ela volte ao standard. São conferidas pastilhas de freio, fluidos, mangueiras, rolamentos, folgas, válvulas, velas, filtros, engraxamentos, além dos tradicionais “óleo e filtro”. Durante essa inspeção vamos identificando tudo que foi mexido na história da moto, e voltando ao original, seja com regulagens ou substituíndo as peças. Um chicote com fita isolante por exemplo, ou uma tampa do motor fechada na base da cola, são sinais…

E foi justamente aí que a cola apareceu, na tampa de válvulas, aberta normalmente para regulagem (que por sinal estavam bem desreguladas), havia em sua última inspeção sido fechada na base da cola de junta. Agora sim, voltando ao começo da matéria, lente do pisca original ou paralelo? Ambas cumprem a função… A cola e a junta de fábrica cumprem a mesma função, mas a cola denuncia uma manutenção com pouco zelo. Seria a mesma coisa de colocar alguns parafusos Allen na carenagem e alguns Philips… Eles fazem a mesma função, mas comprovam pouco cuidado de quem fez o serviço ali.

Então, caros amigos, sendo da turma do original ou do modelo original, de alguns detalhes não devemos abrir mão, busquem as juntas, se não tiver nas concessionarias da marca, procure em vendedores de peças antigas, se não encontrar com eles, procure nos sites estrangeiros. As juntas e retentores da ZX-12R que ilustra essa matéria foram importados, originais Kawasaki, demoraram uns bons dias pra chegar, foram taxados na alfandega… Mas é um assunto encerrado, a moto fica original de novo e vai demorar muito pra voltar a mexer naquela tampa.


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One thought on “Com cola não cola

  • Correto. Diferente do que muita gente pensa.

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