XTZ 750 e DR800S – Tanques de Guerra

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Como é viajar com dois tanques de guerra?

Decidimos colocar a Suzuki DR 800S e a Yamaha XTZ 750 na estrada e, em um domingo ensolarado, rodamos 500 km com cada uma.

Atendendo frequentemente pela alcunha de “Tratorzão”, “Tanque de Guerra”, as trails são conhecidas por sua durabilidade, torque elevado e aptidão a frequentar variados terrenos com desenvoltura. Duas das mais emblemáticas Big Trail dos anos 1990 são a Yamaha XTZ 750 Super Ténéré e a Suzuki DR 800S.

Fiquei muito contente quando, na Rodovia Fernão Dias, pilotando ao lado do amigo Adriano Américo, demos de cara com um tanque de guerra! Pronto! Já não precisava mais me preocupar com o mote da matéria, me restava apenas tirar umas fotos para ilustrar esse artigo.

UAI, senta que lá vai história.

dr800s tanque de guerra xtz750
Os verdadeiros tanques de guerra do motociclismo dos anos 1990 –
o Amigo Adriano Américo foi companheiro nessa viagem

500 km por um café

Foi na quinta-feira que recebi uma mensagem do amigo Marcelo Resende, morador de BH, me convidando pra tomar um café no domingo. Não entendi direito, achei que ele ia passar por Atibaia na ocasião. Ele rapidamente esclareceu sugerindo um café no “meio do caminho”. Cada um sairia de suas casas na manhã de domingo, em direções opostas e o encontro seria em algum lugar no meio da Rodovia Fernão Dias – explicou.

Nada mais justo! Afinal dos 524 km que separam nossas casas, cada um deveria rodar cerca de 250 km naquela manhã. Sendo assim o encontro ficou marcado no agradável Armazém Grão da Terra, ali na margem da rodovia mesmo, no município de Três Corações, MG.

Marcelo é um amigo de longa data, já foi personagem de historias contadas nesse site. A Suzuki DR 800S de nosso acervo é uma criatura original de fábrica, ano 1994, completou 22.500 km durante o trajeto.

Já a nossa XTZ750 Super Ténéré ano 1991 customizada é velha conhecida de nossos leitores, que além de uma pintura bonita, recebeu acessórios que significativamente melhoraram seu desempenho, e em consonância com a moto de rali por Stephan Peterhansel. Essa moto já foi personagem da Revista Duas Rodas, e já contei aqui a sua historia de “quebrar pescoços”.

As motos e os amigos

Com a “desculpa” pronta pra rodar os 500 km no domingo – “tomar café com um amigo”, pensei: nada mais justo que convidar outro amigo pra empreitada. Foi justamente assim que o amigo de infância Adriano Américo entrou nessa história. Nós andamos de motos juntos desde o tempo da Mobilete, ao atender ao telefone decretei que naquele domingo ele já tinha compromisso comigo, com a moto e a estrada (agradecimentos especiais a sua esposa Marina pelo alvará concedido). Adriano topou na hora.

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O sorriso dos dois amigos de longa data, no começo da viagem com os primeiros raios de sol, indicavam o quão divertido seria viajar com os tanques de guerra.

Bora pra estrada

Foi com o sorriso retratado pela imagem acima que pegamos a estrada, a temperatura estava muito agradável o que nos permitia usar equipamentos sem sentir calor, e nem frio. Como a rodovia Fernão Dias estava vazia no sentido interior, fomos instigados a uma pilotagem, não necessariamente veloz e esportiva, eu diria simplesmente apurada. Caprichando em cada tomada de curva, abusando da largura da pista até encontrar cuidadosamente o ponto de tangência e saindo de cada uma delas abrindo o gás e sentindo a força daqueles propulsores.

Durante esse balé, eu que ia na frente com a DR 800S podia admirar pelo espelho o capricho com o qual o amigo Adriano escolhia sua trajetória.

Tecnologias divergentes – prazer garantido

Se por um lado a Yamaha na XTZ 750 Super Ténéré optou por uma receita mais esportiva e agressiva, com duplo freio dianteiro, motor de conceito Gênesis, dois cilindros paralelos, refrigerado a liquido, inclinados a 45 graus, 5 válvulas por cilindro, por outro a Suzuki seguiu um caminho bem mais tradicional, mas longe de ser menos empolgante: Um monocilindrico refrigerado a ar, com 4 válvulas por cilindro, apenas um disco de freio dianteiro.

Ambas são alimentadas por uma dupla de carburadores, inclusive o big single da Suzuki, que exibe em suas especificações algumas curiosidades, como o fato de ser o maior monocilindrico feito em serie para uma motocicleta e também o emprego de duas velas de ignição por cilindro – algo inovador na época.

As credenciais dessas máquinas

De concepções bem diferentes, ambas concordavam em alguns pontos. Os pesos a seco eram semelhantes, 203 kg a maquina da Yamaha e 194 kg a big single da Suzuki. O aro dianteiro das rodas, uma questão indiscutível nos anos 1990 , obviamente de 21 polegadas nessas maquinas (17 na traseira).

As Suspensões também, como de praxe na época, com cursos muito generosos – 235mm na dianteira e 215mm na traseira na grande Ténéré e 240mm na dianteira e 220mm na traseira da DRBig.

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Na pratica a teoria é outra

O prazer de pilotar foi a tônica da nossa conversa quando paramos no posto de gasolina, ambas, quando compreendidas em suas diferenças e respeitadas em suas idades (30 anos nosso exemplar da XTZ e 27 anos a nossa DR800) são absurdamente divertidas na estrada. Toda aquela montanha de números de suas fichas técnicas, se transformam simplesmente em ruído, calor, energia transferida pro asfalto… (e também um pouco mais de CO2 lançado na atmosfera).

Adriano estava radiante com a forma com a qual a Yamaha XTZ contornava aquelas curvas, a rapidez de subida de giros e dizia que apesar dela estar calcada com pneus off road puros, suas suspensões os mantinham sempre firmes contra o asfalto, transmitindo confiança àquele piloto.

Eu também estava radiante, entre um pão de queijo e outro, confessava pro amigo o quanto a DR 800S havia me surpreendido positivamente. Com características nitidamente mais voltadas ao off road, ela deu um show no asfalto.

O que faltou?

Se estivesse nos bons tempos em que fui piloto de testes da Revista Duas Rodas eu jamais devolveria nenhuma das motos sem antes fazer um off road gostoso, tirado boas fotos na terra e abusado daquele curso todo de suspensões e dos aros dianteiros de 21 polegadas – más, estamos no Motos Clássicas 80, não é mesmo? Se o teste não foi de todo completo, as motos não foram e nem serão devolvidas ao fabricante, elas seguem em nosso acervo e, quem sabe em outra ocasião acabem indo pra outro passeio juntas, onde a gente possa explorar esse outro lado delas.

Ahhh faltou outra coisinha. Não deu pra perceber? poxa… a viagem não foi pra tomar um café com o amigo Marcelo Resende de BH? Pois então ai está a “prova do crime”:

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Diego Rosa, Adriano Américo e o patrono do encontro, Marcelo Resende – finalmente no “Grão da Terra” botando a conversa em dia.

O peso da idade

No final do dia, o peso da idade (das motos é claro) já se mostrava presente.

Os assentos estreitos e que ajudam muito no off road, conseguiram proporcionar algum conforto nos primeiros quilômetros. Mas no final daquele dia, a bunda, ainda que muito calejada, já sinalizava o cansaço. E neste momento o por do sol entrava “ardido” nas nossas viseiras.

Mas e daí? Quer saber?

Nem o sol, o assento e muito menos o trânsito tradicional de domingo no retorno à capital paulista conseguiram cansar nossos sorrisos.

Cansados chegamos, cada qual na sua casa, e em poucos instantes já nos falávamos sobre aquele dia sensacional, com a mistura perfeita entre motocicletas e amigos.


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16 thoughts on “XTZ 750 e DR800S – Tanques de Guerra

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    Motos de sonho ainda hoje. Pelo menos, o meu sonho. Linda reportagem. Deve ser mesmo só prazer curtir uma viagem com qualquer uma delas. E pra quem acha que essas senhoras tem que ficar mais na garagem que andando, o Tarcisio tem uma ST 750, ano 95, saiu aqui de São Carlos, SP, foi e voltou até o Peru, por essa nova estrada do Pacífico. E claro, pegou muita estrada de terra.

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    Poxa que legal…. realmente uma otima desculpa pra por motos incriveis na estrada….
    Que venham mais ” cafés ” com os amigos..rsssss

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      Duas belas máquinas ..Tenho uma DR 800 ano 2000 ela agora está com 35k rodados . É uma moto Excepcional pra qualquer aventura ..
      Parabéns pela matéria

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        Estás old School são top já tive dr800 eh simplesmente um tanque!!inquebrável como a tradição das suzukis!!!hj tenho freewind 650 2001 tbm outra grande moto !!!Torque e relação longa são tônica certa nestas motos!!!

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    Que legal ver o Marcelo aí! Uma excelente pessoa!!! Quem sabe um dia, um café na estrada Marcelo!

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      Vamos marcar o café na estrada logo, Henrique.

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    Boas vivências compartilhadas conosco. Me senti mais motivado a comprar uma XTZ 750 e continuar me aventurando pelas ruas e estradas.

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      Muito bacana , tbm curto viagens geralmente pra capitolio mg mas sempre só pois é dificil arrumar um companheiro que encare ! Ah a proposito tbm tenho uma dr800s !

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        Top top

        500 KM POR UM CAFÉ

        Kkkkkk kkkk

        Vou ter que arrumar um amigo longe também, gostei da idéia!! Kkkk

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    Duas legítimas representantes dos áureos tempos dos motores alimentados a carburador… podem gastar mais, mas respondem na medida…

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    Impossível não se enviar ao ler essa história ..pilotar é maravilhoso, tenho uma Yamaha xt225 e embora perto das demais seja fraca mas me identifiquei muito com éla por ser alta ,cada vê que seio com ela a passeio é sempre um prazer diferente..embora sempre sozinho mas sempre surreal pilotar essa criança grande…satisfacao a família

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    Se eu puder sugerir façam alguma matéria sobre as DR 650. Aqui no Brasil tivemos as RE, RSE, SE e, posteriormente, as freewind.

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      valeu! excelente moto… tive uma RSE e lembro dela com saudades. obrigado pela sugestão

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    Já tive uma XTZ 750, meu sonho era conseguir uma DR ainda toda original e uma África Twim 750.

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      Tenho uma xt600 mais fui decepcionado pé Yamaha que fez serviço nela e até hoje minha moto está parada, Yamaha da Imbiribeira recife-pe. Péssimo atendimento na área de mecânica, não tem um mecânico profissional que preste.

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