Rodamos na TX 650 que usa o primeiro motor Yamaha 4T

Compartilhe este conteúdo

Como não se apaixonar por uma máquina assim? Simplicidade total e excelente acabamento com muito alumínio e aço. Feita para durar…

Em 1975 eu tinha 14 anos e “carteira assinada”. Trabalhava como contínuo na Crefisul com sede na Avenida Paulista. Lá do quinto andar do Edifício Elijass Gliksmanis, que fica no 1.106 daquela charmosa avenida, ouvia o ronco das Honda 750 Four rasgando o asfalto com o escape 4×1. Mas uma moto chamava atenção pelo silêncio e imponência, chegava sem fazer alarde com seu farolzão redondo e o tanque verde e dourado… Estou falando da Yamaha TX 650.
Como era linda aquela Yamaha, moto com cara de moto! Havia uma que ficava estacionada em frente ao Objetivo. Sempre que ia jogar no Fliperama, da Joaquim Eugênio com a Paulista, parava para curtir aquela máquina e eu não sabia, sequer imaginava, o quanto ela foi importante na história da Yamaha…


Dois cilindros


Sempre gostei de máquinas de duas rodas. Com minha Monareta, atravessava a cidade e descia para o Parque do Ibirapuera no zerinho meus olhos ficavam grudados nas motocas e nas meninas peitudas com a barriga de fora kkk. O zumbido ardido das Yamaha RD 50, a discrição da Honda CB 360 e, claro, o ronco das 7Galo eram destaque. Mas o som imponente da Yamaha TX 650, me cativava….

blank
Olha o motorzão… Até hoje essa Yamaha é uma das mais customizadas na Europa

Quase cinco décadas depois me deparei novamente com uma Yamaha TX 650, que sempre achei bonita prá caramba (pra dizer a verdade, bonita prá ca&%$#lho). A moto estava sob os cuidados de um grande amigo e pedi autorização para dar uma volta, assim poderia matar minha vontade e escrever minhas impressões. Fiz questão de passear por Jundiaí (SP) e dividir com os amigos do Motos Clássicas 80 um pouco da minha volta ao passado. Para isso, tive o apoio do fotógrafo, e também entusiasta das clássicas, Fabiano Godoy autor dessas imagens incríveis…


Rodando


Ao assumir o guidão desta Yamaha já sentimos aquela sensação de durabilidade. Deixa eu explicar que sensação é essa. Tudo é bem acabado, muito alumínio nos comandos, aço em abundância e pouco plástico. Cavalete central e descanso lateral, tudo para ajudar a estacionar a enorme Yamaha e seus 217 quilos. Esse peso é em ordem de marcha, ou seja, com tanque quase cheio (90%) mais lubrificantes e outros fluidos.
Sentado no banco, o bocal do tanque de gasolina, com capacidade para 15 litros, se destaca e remete aos bocais dos automóveis clássicos. Veja na foto abaixo o detalhe da chave que tranca pela parte traseira da tampa, muito legal!

blank
Com capacidade para 15 litros, o tanque de combustível é uma obra de arte. Tá bom, você pode dizer que estou exagerando… Mas essa Yamaha é exagerada

O painel, totalmente analógico, só tem os mostradores necessários. Velocímetro que marca até os 220 km/h – nos testes da época, como na revista Cycle World, ela atingiu 185 km/h. A faixa vermelha, no conta-giros, se inicia aos 8.000 rpm e chega aos 12.000 giros. Hodometro total e parcial e meia dúzia de luzes de aviso, nada mais! Dá gosto de ver essas coisas antigas, como eram simples, bem construídas e duráveis…


A primeira 4 tempos


Além do estilo e ótimo acabamento, a TX 650 tinha a grande responsabilidade de mostrar a evolução da Yamaha e que a marca era capaz de produzir motores quatro tempos (4T).

blank
Você vai morrer e essa moto ainda estará rodando, só dependerá de quem estiver cuidando dela. Não tem plástico para trincar, tudo é sólido e pesado…

O motor da TX 650 traz pouca tecnologia, refletindo sua época. São dois cilindros, duas válvulas em cada. O comando de válvulas é acionado por corrente. Para desfrutar da potência de 50,1 cv e torque 52 Nm a 6.000 rotações basta acionar a partida elétrica, se faltar bateria existe o pedal de partida.
Parada há muito tempo e marcando pouco mais de 8.000 km no hodometro total, é uma raridade e, como tal, cheia de “vontade própria”, demorou para estabilizar a marcha lenta. Quando o motor atinge a temperatura ideal de funcionamento o afogador pode ser desativado e não foi precisei mais “queimar embreagem”. Finalmente pude rodar com a moto sem preocupações enquanto a dupla de carburadores Mikuni Solex alimentava o propulsor de 653 cc.

blank

Que saúde…


Até então não havia desfrutado da “saúde” desse motor Yamaha 4T mas, bastou entrar numa rua sossegada, e girar o cabo que a moto mostrou quem é de verdade.
Em terceira marcha e sem engasgos, veio aquele soco no estômago enquanto o corpo foi jogado para trás, os braços sentiram o peso e as mãos firmaram nas manoplas. Nossa, que legal sentir a sensação dos carburadores alimentando os cilindros e a moto ganhando velocidade. Nada de eletrônica apenas eu e a Yamaha nos conhecendo melhor.
Enquanto passo nas ondulações e um monte de lombadas percebi o par de amortecedores na suspensão traseira, absorvendo as irregularidades e tentando manter a roda em contato com o asfalto. O banco, com uma generosa camada de espuma, para manter o conforto. Que sensação boa, voltei aos velhos tempos de office-boy quando sonhava pilotar uma máquina dessas…
Nas íngremes ruas de Jundiaí , a caminho do point onde faríamos as fotos, nem precisei trocar de marcha (câmbio de 5 velocidades), bastava acelerar que a Yamaha obedecia e seguia em frente. Eu me sentia como um maquinista, que pode contar com a seguranças dos trilhos. Enquanto isso o motorzão ronronava e o som da dupla de escapamento ecoava nas casas do bairro.
Freios

blank
Enquanto o mundo se “derretia” pela Honda CB 750 Four, a Yamaha mostrava que tinha condições de produzir um motor 4 tempos

Dois discos na dianteira (como gostava de escrever o amigo Paulo Bambirra) “mordidos por pinças de dois pistões” e o tambor traseiro têm a função de segurar a Yamaha que usa rodas raiadas de alumínio, de 19 polegadas na dianteira e 18 na traseira.
Enquanto o Fabiano fazia as fotos eu curtia, de longe, o visual dessa imponente dessa Yamaha. Não sei vocês, mas a parte que mais chama atenção é o farol e os enormes piscas redondos. Como falei no começo, os paralamas em aço ajudam a encorpar o modelo e aumentam sensação de durabilidade. A lanterna redonda, no mais puro estilo lata de goiabada, com os olhos de gato nas laterais ajudam a compor o visual clássico desse modelo. Essa Yamaha não teve o destaque que mereceu e boa parte da mídia especializada na época, reclamou “algumas falhas de alimentação e vibração do motor”.

blank


Compartilhe este conteúdo

3 thoughts on “Rodamos na TX 650 que usa o primeiro motor Yamaha 4T

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.