As novas clássicas…

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Maio de 2030 – em uma exposição de motocicletas clássicas… 

Nos eventos de motos clássicas atualmente, tropeçamos em CB750, CB550, CB500,CB400F,RD350 e já começam aparecer, timidamente, as da “nova geração”, que são as XL250R, Agrales, RD350R, CBX750F, Ténéré 600 etc…

Mas, e nas exposições de motos em 2030? – quando todos os veículos nas ruas consumirem apenas combustível limpo e com rodar silencioso, quais das motos da virada do milênio vão virar peças de museu?

Eu selecionei algumas, mas sem duvida muitas acabei me esquecendo e deixei passar, mas vale pela farra, pelo exercício, e quem sabe se a internet não mudar até lá e essa pagina ainda estiver no ar… vai garantir boa leitura a quem nos acessar.

Esse exercício pode, e deve ser feito pelo colecionador, assim nosso olhar vai ficando mais afiado, e podemos inclusive pensar em “investir” em alguma semi-nova ou zero km, pra fazer alegria dos que virão…

Algumas que destaquei:

HONDA CBR900RR – surgida em 1993 quebrou todos os paradigmas, colocando em um corpo de 600cc um motor com potencia de 1000cc.  Foi a base pros bólidos de 1000cc e 200hp atuais.
Por ter furos na carenagem, ao lado dos farois, ganhou rapidamente o apelido de Jason, o exterminador do filme “Sexta-Feira 13” – um clássico do terror dos anos 1980.
Seria ousado dizer que a CBR900RR tomou o lugar que era da CB750 e depois da CBX750F?

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YAMAHA V-MAX – Um “muscle car” em duas rodas?  Sim, assim era (e ainda é) a Yamaha V-max! Seus 140hp são impressionantes até hoje, e arrancam sorriso do rosto de quem as acelera!  Seu design “brutamontes” agrada até hoje, simples assim:  2 rodas e 1 motor gigante! – tanto que a nova V-max com motor de 200hp mantem-se parecida à original.  O Motor V4 dispensa comentários – um verdadeiro absurdo!

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Yamaha R1 – O segundo salto que tivemos em relação as esportivas foi com a Yamaha YZF-R1 de 1998. Se até aquele momento, 130 hp eram “monstruosos” e 200kg eram aceitáveis, a Yamaha R1 quebrou todos os paradigmas, indicando que 150hp eram o novo patamar, mas, mais do que isso, 180kg era o peso a ser batido.  Foi a rainha das esportivas durante uns 4 ou 5 anos, tempo suficiente para as concorrentes japonesas  (Suzuki GSX-1000R, Kawasaki ZX-10R, Honda CBR1000R) prepararem o arsenal e correrem atras do prejuízo!

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Suzuki Hayabusa – Dispensa apresentações, a rainha absoluta quando o tema é velocidade máxima, brutalidade, aerodinâmica, em 1999 chegou quebrando todos os paradigmas, exibindo um motor absurdo com 176hp e um velocímetro cuja escala ia até 350km/h. – Foi a resposta dada pela Suzuki para a Honda CBX1100XX (Blackbird) – foi a era da briga dos pássaros, foram as primeiras motos a ultrapassar os 300km/h de velocidade final real. E até mesmo o nome das motos era uma brincadeira (brincadeira séria) dos fabricantes.  Enquanto a Honda colocou o nome de Blackbird em sua moto, a Suzuki colocou Hayabusa, que é o nome em japonês para o falcão peregrino, a unica ave do mundo capaz de superar os 300km/h de velocidade (quando em voo de descida) e o predador natural do pássaro “blackbird”.  A briga foi intensa, logo a Kawazaki entrou na festa com sua ZX-12R, que tinha inclusive “asas laterais”, pequenos dispositivos aerodinâmicos que prometiam mante-la mais firme ao solo em altas velocidades.
Infelizmente a festa “oficial” durou pouco, pressionados pelos governos, os 3 fabricantes decidiram encerrar a batalha oficial pela velocidade máxima, entrando em um acordo de cavalheiros, e fazendo com que suas motos fossem limitadas ao limite máximo de 300km/h.  Com isso velocímetros foram limitados a exibir o numero 300 apenas, e dispositivos eletrônicos foram instalados, de fabrica, de forma a limitar o desempenho dessas belas máquinas.  Isso permanece até hoje.
Eu afirmei que a festa “oficial” acabou, pois existe outra, “paralela”, que garante a diversão.  Por sorte, os dispositivos eletrônicos podem ser desabilitados (existem kits vendidos para isso), o que faz com que qualquer motociclista com um simples GPS possa ver a máquina superar os 300km/h – no caso da Hayabusa mais moderna, isso acontece ainda em quinta marcha…

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SuperTénéré 750 – Criou o que hoje entendemos por categoria “maxi trail”, trails enormes, potentes, confortáveis, que são capazes de cruzar o planeta, devorar quilômetros. A Suzuki e a BMW também buscavam essa categoria, com DR800 e GS, e também a Honda tinha sua representante, a Transalp. Todas derivavam dos protótipos usados no Rally Paris Dakar (saudades da época que esse era um rally africano)… A SuperTénéré, foi um sucesso instantâneo, também pudera, levava um sobrenome fortissimo – as “Ténérés” dos anos 1980….

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Aprilia Moto 6.5 – Difícil definir uma clássica, não é mesmo?  ela tem que ter algum dos componentes abaixo para se tornar realmente uma clássica:

– objeto de desejo em sua época
– quebrou paradigmas
– inaugurou uma categoria
– destacou-se positiva ou até mesmo negativamente em algum quesito
– teve uma produção curta e impactante

Pois é, a Motó não se encaixa bem nessas categorias, mas foi desenhada por Philippe Starck – designer industrial Frances de renome mundial – suas criações vão de moveis, oculos, projetos arquitetônicos – nos presenteando com a Aprilia Motó 6.5 – nao tem nada demais, é basicamente uma big trail com motor rotax de 650cc – comuns a Aprilia Pegaso por exemplo, ou a BMW GS650… mas uma coisa não se pode negar:  É diferente de tudo, linda, inexplicável!   Se foi exposta no museu Guggenheim de NY – podemos dizer que merece lugar de destaque em qualquer sala de estar!

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Honda Africa Twin – Concorrente direta da Yamaha SuperTénéré nos anos 1980 e 1990, mas no Brasil vimos pouquíssimas delas, pois a importação era independente. Quem se aventurou pelo sul da América do Sul nos anos 1990 certamente cruzou com muitas delas nas estradas da Argentina, esse belíssimo modelo era comum por lá naqueles tempos.

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Suzuki Bandit 1200 – E quem não gostaria de ver uma Suzuki Bandit na exposição de clássicas de 2030?  Se pedirmos pra uma criança desenhar uma motocicleta, vai sair algo como uma Bandit.  Simples de tudo, motor, rodas, farol redondo…  justamente seu design simples fascinou, e a Bandit tá ai até hoje pra provar que, se o visual é simples, a mecânica é robusta e o desempenho ainda é respeitável…  conhecida nos anos 1990 por “enrugadora de asfalto”, devido a seu torque extraordinário em baixos regimes de rotação!

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Suzuki DR800S – Ou DR BIG como ficou conhecida: Enquanto Yamaha e Honda exibiam suas big trails bem elaboradas, com motores refrigerados a liquido, motores com 5 válvulas por cilindro e desempenho forte, a Suzuki apostou na simplicidade, e com isso apareceu uma das, se não a maior, big single do mundo!  800cc em um monocilindrico!  Quem teve o prazer de andar numa moto dessas sabe do que estou falando, um big single de 800cc é um verdadeiro “mastodonte motociclístico”!

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Não me resta a menor duvida que ficaram fora dessa lista muitas motocicletas!  O leitor ao navegar por essas imagens certamente vai se lembrar de outros ícones… Os anos 1990 foram basicamente os anos das BigTrail e Esportivas, foi ali que nasceu a geração de motos “puro sangue”, que exigiam uma pilotagem de alto nível para se extrair tudo que elas podiam oferecer. Atualmente, vemos uma geração de motos “tecnológicas”, com controle de tração, controle de wheeling, controle do mapa da injeção eletrônica, freios ABS, enfim, são tantas “facilidades” oferecidas, que as “indomáveis” motos dos anos 1990 vão parecer dinossauros em 2030 – e possivelmente muitos as considerem naquele momento – motos impossíveis de pilotar.  Mas posso garantir:  Com sua rusticidade, ausência de assistências, “buracos” de carburação, entrega bruta de potencia – Elas eram mais divertidas!!!


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14 comentários sobre “As novas clássicas…

  • Muito legal. Eu colocaria na lista ainda, Moto-Guzzi 850 Le Mans 3 de 1982; a primeira versão da Aprilia Pegasus 600, e as Gileras dos anos 80, incluindo a KK 125, com tanque de combustível sob o motor, de 1985.

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  • Muito legal. Eu colocaria na lista ainda, Moto-Guzzi 850 Le Mans 3 de 1982; a primeira versão da Aprilia Pegasus 600, e as Gileras dos anos 80, incluindo a KK 125, com tanque de combustível sob o motor, de 1985.

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  • Muito legal. Eu colocaria na lista ainda, Moto-Guzzi 850 Le Mans 3 de 1982; a primeira versão da Aprilia Pegasus 600, e as Gileras dos anos 80, incluindo a KK 125, com tanque de combustível sob o motor, de 1985.

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  • Muito boa a lista, mas sem uma representante das ZXR/GPZ/ZZR não pode né… hehehe. Eu colocaria a ZX 11 Ninja ai; verdadeiro mito entre as esportivas. abs

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  • Muito boa a lista, mas sem uma representante das ZXR/GPZ/ZZR não pode né… hehehe. Eu colocaria a ZX 11 Ninja ai; verdadeiro mito entre as esportivas. abs

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  • Muito boa a lista, mas sem uma representante das ZXR/GPZ/ZZR não pode né… hehehe. Eu colocaria a ZX 11 Ninja ai; verdadeiro mito entre as esportivas. abs

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  • Italianinha? Ducati Monster M900…a primeira monster. Visual arrebatador ainda em 1993. Quase 25 anos depois, diversas versões e a familia monster ainda está em produção!

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  • Italianinha? Ducati Monster M900…a primeira monster. Visual arrebatador ainda em 1993. Quase 25 anos depois, diversas versões e a familia monster ainda está em produção!

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