CBR1100XX – a rodovia ficou estreita a 250km/h.

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Mesmo com suas quatro pistas, num piscar de olhos, a Rodovia dos Imigrantes ficou estreita. A cada segundo a moto percorria 70 metros, bastava um suspiro e eu já havia rodado mais de 200 metros.

O “sem-noção”

Aos poucos fui entrando em outra dimensão, a visão periférica sumia e, sem perceber, mergulhava no túnel tubular. Só tive noção da real velocidade, e perceber como estava rápido, quando um caminhão que estava lá na frente, em questão de segundos, “cresceu”. Cheguei nele muito rápido, nunca tinha andado tão rápido na minha vida…

Imagem de divulgação do lançamento, inspiração aeronáutica e quatro carburadores Keihin para alimentar o monstro de duas rodas

No século passado

Essa lembrança é de 1997 quando a incrível Honda CBR 1100 XX Super Blackbird, chegou na redação da Revista Duas Rodas. Até aquele momento, a marca dos 200 km/h era uma barreira intransponível e nem imagina como seria deixar para trás os 250 km/h. Essa sim, era uma marca insana que, naquela manhã, sozinho e sem avisar ninguém, resolvi bater…

cbr1100xx e cbr1000f
Lado a lado, a CBR1100XX Super Blackbird (direita) e sua antecessora CBR1000F. A preocupação com a aerodinâmica é nítida.

Lobo em pele de cordeiro

Em poucos segundos cheguei aos 150 km/h, nem lembro se havia ou não radares naquele trecho e, se houvesse, a multa não assustava tanto. Queria mesmo saber do que a Blackbird era capaz…
À medida que subia as marchas e o motor ganhava giros, uma quadra de carburadores tinha a missão de alimentar cada um dos quatro cilindros. Os componentes da marca Keihin – com 42 mm de venturi cada – cumpriam seu papel de forma brilhante. Não havia engasgos, tudo era liso e linear na entrega da mistura ar combustível para aquelas quatro bocas nervosas capazes de gerar 167 cavalos.

O moleque da Vila Aurora

Foi um momento especial, quase um privilégio. Eu era apenas um moleque da Vila Aurora (Zona Norte de São Paulo) que ficava babando para as Yamaha RD 50 que zuniam na rua na década de 1970. Agora eu estava lá, trabalhando na Revista Duas Rodas e no comando da moto carburada mais veloz do planeta – depois chegaria a insana Suzuki Hayabusa (mas já injetada).

A visão tubular

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A Blackbird tornava fácil a tarefa de atingir velocidades elevadas, muito equilíbrio e potência

Ganhava velocidade e cheguei aos 200 km/h como se “nada estive acontecendo”. Para dizer a verdade, a moto parecia estar parada, tamanha a docilidade e controle que ela oferecia. Mas, quando dei por mim, entrei no incrível túnel que descrevi lá no começo. A visão lateral praticamente não existia…


Os carros e caminhões – que seguiam no mesmo sentido – pareciam estar parados. A sensação era maravilhosa mesmo que minha boca estivesse seca, os olhos esbugalhados e as mãos molhadas de suor dentro das luvas.

A nova dimensão

Realmente estava em outra dimensão, uma nova dimensão que a Honda CBR 1100 XX inaugurou no mundo. Apesar dos carburadores, aquela moto era algo insano. Hoje falar de 250 km/h parece bobagem – basta procurar no YouTube que você encontra milhares de pilotos deixando esse limite para trás. Mas lembre-se, isso foi em 1997, há exatos 25 anos (ou, um quarto de século kkkk).

Fator Humano

Fiz o retorno na Represa Billings e voltei para a redação na Vila Mariana. Dessa vez devagar, curtindo o equilíbrio dos 254 kg (em ordem de marcha) dessa – hoje – veterana. Cheguei na redação com um largo sorriso no rosto, desliguei a Blackbird e fiquei por uns instantes ouvindo os estalos do escapamento, esperando a adrenalina baixar… 25 anos depois, hoje aos 60 nos, aquela sensação ainda está viva dentro de mim e sempre surge quando olho a XX estacionada na garagem do MotosClassicas80. Uma sensação dessas, que só uma moto pode nos proporcionar, precisava ser dividida com os amigos.

As esportivas… que eram tão modernas…estão virando clássicas.

110, 120, 160… só pra ver, até quando, o motor aguenta!

Links legais, pra quem curte a CBR1100XX Super Blackbird


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9 thoughts on “CBR1100XX – a rodovia ficou estreita a 250km/h.

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    MT bacana !!
    Parece que essa Honda deixou saudades !!!

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      Só um toque: em 1997, os 200 km/h já não eram assim, um assombro. A Kawasaki Ninja 1000 RX, de 1985, como sabem, já atingia mais de 260 km/h, e muitas 750 nada radicais, colo nossa CBX 750f, passava fácil dos 210 km/h, entre outra esportivas de 600cc. Boa lembrança da Blackbird.

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      Muito lindo , quem não sente essa adrenalina quando já sobe na moto ❤️❤️❤️🙏🙏🙏🙏

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        Boa tarde, depois de ler a reportagem me sinto um privilegiado, pois tive duas CBR100F 93 E 95, e agora ainda tenho uma XX 2003, as emoções que passei são indescritíveis, com as 1000 superar a barreira dos 200km/h e com a XX em poucos segundos passar suavemente dos 240km/h.

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    Tem motos que apenas uma volta se torna inesquecivel mesmo… pena que essa não tive a oportunidade…

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    Essa moto é simplesmente inacreditável!

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    Realmente ultrapassar a barreira dos 200 km já é uma aventura Loka, a gente nunca esquece a emoção que o corpo experimenta. É uma aventura pra quem quer se sentir vivo!!!

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    Finalmente acabei de realizar meu sonho acabei de adquirir uma dessa 99

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    Sou testemunha dessas máquinas tenho as duas em casa e uma foto igualzinha a sua publicada

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