Das montanhas para o deserto, um papo com André Azevedo

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Foto do arquivo pessoal de André Azevedo que fez dupla com Klever Kolberg. Eles foram os primeiros brasileiros a participar do Rally Paris-Dakar em 1988

Fui para São José dos Campos (SP) saber a opinião do piloto André Azevedo sobre a nova Honda Africa Twin 1100, pois ele tem duas em sua garagem, uma ano 2017 “raiz” e uma 2020 já com o câmbio DCT. Chegando lá, não resisti e o papo acabou sendo sobre suas participações no Dakar… Acompanhe

A porta se abriu, o piloto saiu tranquilo e falou: desce na garagem que a gente conversa sossegado…

Embiquei a Honda Africa Twin e desci a rampa sem saber o quão emocionante seria àquele encontro. Em poucos momentos o André apareceu, me convidou para conhecer sua casa e mostrou as maiores qualidades que um ser humano por ter: a simplicidade e a humildade. Sorriso largo, fala mansa, cabelos brancos, corpo de atleta, aos 62 anos, e aquele astral de quem está tranquilo. Eu, por outro lado, estava meio esbaforido pelo calor daquela tarde abafada no Vale do Paraíba…

— Posso beber uma água?

— Claro, entra aqui!

A enorme porta de vidro se abriu, meus olhos grudaram nos troféus do Paris-Dakar no canto da sala, mostrando que lá mora um ser humano fora do comum. Não que ele seja superior, mas o que ele fez – junto com o Klever Kolberg – em 1988 foi surreal pela coragem e a empolgação. Não tinha internet, não tinha Instagram e aos poucas informações que chegavam da prova eram ligadas à tragédias e mortes.

“Nós vencemos o Enduro das Montanhas, e resolvemos participar do Paris-Dakar, queríamos ser os primeiros brasileiros naquela prova”. Entre a decisão de participar, a busca de patrocínio e todos os preparativos necessários para um projeto dessa envergadura passaram apenas seis meses, foi pouco tempo. Eu diria que quase um recorde kkkk.

Ele não sabia que era tão frio

Enquanto preparava o equipamento para captar a entrevista, André me surpreendia com histórias bem legais daquele distante 1987. “Minha mãe disse que eu iria participar do rali da morte, como era conhecida, graças a Rede Globo, a prova mais importante do calendário do off-road mundial”.

Em outro momento, disse na maior simplicidade, que não tinham informações sobre as condições climáticas da África. Imaginei que passaria calor. Eles não tinham barracas (ou tendas) para dormir e passavam as noites ao relento. “Tinha apenas o saco de dormir, nas primeiras noites teve até geada no deserto…”. Perguntei o que ele pensava enquanto olhava o céu estrelado, André, na maior simplicidade afirmou “só agradecia a Deus, por estar vivo, aquela competição era insana…

Nós iríamos de XL 250

André me presenteou com várias histórias e a íntegra da entrevista será publicada no meu programa Trajetos e Destinos no Canal Duas Rodas. Mas quero deixar um aperitivo para os os meus amigos do Motos Clássicas 80, que assim como eu, adoram histórias clássicas. Aproveite.


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One thought on “Das montanhas para o deserto, um papo com André Azevedo

  • Inesquecível André Azevedo e Klever Kolberg. Ah minhas revistas guardadas. Que maravilha de lembrança. Parabéns.

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